quarta-feira, 11 de janeiro de 2017


HUMANISMO POLÍTICO E SOCIAL

Valério Mesquita

01) Açu é um filão de estórias que não  tem  fim. Ronaldo Soares, captador permanente dessa atmosfera densa e intensa, passou-me mais uma. Seu conterrâneo Zé Gago andava às turras com a esposa Isabel. Em suma: havia arranjado uma rival. Revoltada, a família se reuniu para lavrar aquele protesto e chamar o esposo e pai à responsabilidade. Em sua defesa, Zé Gago veio com um argumento genial: “Meus filhos, arranjei uma mulher, é verdade, mas foi prá poupar sua mãe”. Inconformada, dona Isabel saiu do seu silêncio: “Se foi por esse motivo, pode me rasgar toda!!”.
02) Comício de Ronaldo Soares em Açu. Povo doidão na praça. O locutor vibrante anuncia a palavra de Chico Galego, candidato a vereador, líder da Lagoa do Piató. Ao receber o microfone sem fio, assustou-se com o equipamento e tratou de reclamar: “Cadê a correia dele Lourinaldo, cadê a correia, esse bicho não vai falar de jeito nenhum!!!”. Aí a galera vibrou.
03) Campanha de 1990, para senador e governador. Cenário: praça pública de João Câmara em plena feira multifária e multifusa. Os dois candidatos Garibaldi Filho e Lavoisier Maia iniciaram às 10 da matina o famigerado corpo a corpo. Gari, vagaroso no andar, verdadeiro “pé de chumbo”, caminha atrasado e na dianteira, disparado, vai Lavô, o famoso beijoqueiro. Lá na frente, Gari alcança Lavô. Compassadamente, Gari cumprimenta: “Doutor Lavô, nunca se cansa. Parou por quê?”. Disfarça Lavô: “Prá lhe esperar. Pois nessa pressa já beijei até um macho!!!”.
04) Campanha eleitoral de 1998. Em São João do Sabugi o então candidato Vidaldo Costa discursava em seu palanque solitário e pedia votos para si e para o irmão Vivaldo, apesar das rugas. Nisso, chega o ex-prefeito de Caicó Sílvio Santos pedindo para falar. Dadá concede e o médico larga o verbo. Lá pras tantas, Sílvio, que apoiava para deputado federal o professor João Faustino, começa a elogiar o seu candidato. Lá em baixo do palanque, na fila do gargarejo, de repente, um bêbado puxa-lhe com violência a boca da calça que o faz desandar e grita: “Peça voto também pro papa seu f.d.p!!!”. O papa era o pecador Vivaldo Costa.
05) O eloquente e saudoso professor Paulo Viveiros ministrava Direito Romano na velha faculdade da Ribeira. Empolgado com o tema do assassinato de César no senado romano, descia a detalhes como se estivesse num júri popular. “Esse homem, foi assassinado com requintes de perversidade e a primeira cutilada mortal foi desferida pelo senador Casca”, ensinava em tom quase patético, e virando-se como um raio para um aluno, perguntou à queima roupa: “Qual o seu nome?”. “Seu nome?”, respondeu o estudante distraído: “Geraldo Bezerra de Araújo, vulgo Delegado”. “Não, seu idiota!! Estou falando de César!! Júlio César!!”. Pelo visto, o nosso colega estava em outro crime.
06) Uma frase filosófica e reveladora de quão ilusória é a atividade política foi proferida, certa vez, pelo ex-prefeito e ex-deputado Creso Bezerra. Ao ser indagado pelo escritor Alvamar Furtado por que deixara a política ele respondeu prontamente: “Deixei a política em razão do que ouvi de um matuto lá da Paraíba. Disse-me ele: Política, doutor Creso, é para rico besta e pobre sabido”.
07) Procurado por um correligionário abarrotado de multas do Detran, o deputado Álvaro Dias escreveu ao diretor do órgão pedindo condescendência para algumas das infrações, cujo total somava três mil e poucos  reais. Dia seguinte, desiludido, o eleitor caicoense voltou a Álvaro Dias: “Deputado, o homem disse que não tirava uma multa!”. Álvaro recorreu ao telefone: “Lindolfo, esse homem é pobre. As multas estão acima de três mil reais e o seu veículo foi avaliado em cinco mil reais por uma agência!”. “Presidente, infelizmente nada posso fazer. É a lei!”, responde do outro lado da linha o diretor. “Então”, disse Álvaro, “fique com o carro dele e lhe devolva o troco e tamos conversado”. Se a moda pegar...
(*) Escritor


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