terça-feira, 30 de junho de 2020

A nossa escalada
Fui à casa dos meus pais para apropriar-me da edição que ele possui de “A escalada do homem” (“The Ascent of Man”), de Jacob Bronowski (1908-1974). Publicação da Martins Fontes/Editora da Universidade de Brasília em 1993. Tudo muito difícil hoje. Fui à porta do quarto da minha mãe, não entrei, mas conversei um pouco com ela. Na sala, bem à distância, conversei mais com meu pai e pedi para ele pegar na biblioteca o livro, alegadamente como empréstimo. Saí furtivamente e, chegando em casa, descobri o meu nome (e não o dele) posto na primeira página do livro, com duas leituras minhas realizadas em 1995 e 2009. E isso me deu um certo conforto: apropriando-me do dito cujo, talvez eu esteja praticando um crime impossível.
Cometi esse pecado para poder aqui escrever sobre a série da BBC “A escalada do homem”, de 1973, da qual o livro se origina e que acabei de rever estes dias. Simplesmente fantástica. Em todos os aspectos. Na temática, a escalada do homem através da ciência – desde tempos imemoriais, de antes do sapiens, passando pela revolução cognitiva, pela revolução agrícola, pelo fogo e pelos alquimistas, por Pitágoras, Euclides e Ptolomeu, por Copérnico e Galileu, por Newton, Liebnitz, Einstein e Bohr, por Pasteur, Darwin, Wallace, Mendel e a moderna genética, pela indústria, pela mente ou pelo computador, chegando à tragédia dos cientistas ou a uma civilização científica (é você quem escolhe) – é um deleite. Na produção, é padrão BBC em altíssimo nível (com os recursos da época, claro). Na apresentação, um Bronowski, matemático de formação, mas polímata, mestre em muitas artes, inclusive na de contar histórias. Dele, certa feita disse o grupo Monty Python: “o homem sabe de tudo”. Segundo o British Film Institute – BFI, “A escalada do homem” está entre os 100 melhores programas de TV britânicos de todos os tempos, inclusive melhor posicionada que a sua coirmã “Civilização” (“Civilisation”, 1969). E, como dá a entender David Attenborough (1926-), à época diretor da BBC2, ela, misturando história e análise, popularizando a ciência, é, em si, um importante passo na escalada da humanidade.
Vou dar um gostinho dos insights da série/livro falando de uma mistura entre astronomia e direito. Está no capítulo 6 – “The Starry Messenger” e trata da ciência de Galileu Galilei (1564-1642). Galileu, com o seu telescópio no topo do campanário, é considerado “o criador do método científico moderno”. Como explica Bronowski, “pela primeira vez, se consumou de forma completa aquilo que chamamos de ciência aplicada: construção do equipamento, realização da experiência e publicação dos resultados. Isso tudo realizado entre setembro de 1609 e março de 1610, data da publicação, em Veneza, de seu esplêndido livro Sidereus Nuncius (O Mensageiro Sideral), que apresentava um relato ilustrado de suas, então recentes, observações astronômicas”.
E tudo ia bem até a ciência heliocêntrica de Copérnico (1473-1543), Kepler (1571-1630) e Galileu virar perigosa. Mesmo com o prestígio do último com a Cúria romana, a Inquisição bateu. Todo julgamento político tem uma longa história secreta. O famoso “Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo” (“Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo”) é de 1632. O julgamento em si é de 1633. Não adiantarei os detalhes. Está nos arquivos do Vaticano. Codex 1181 – “Processos contra Galileu Galilei”. O fato é que Galileu foi silenciado, preso em sua própria casa e, a partir daí, teve fim “a tradição científica do Mediterrâneo. Daqui para frente, a Revolução científica se transfere para o Norte da Europa”. Grave erro.
Curiosamente, já para o final de “A escalada do homem”, revelando as dificuldades da ciência do seu próprio tempo, também atacada pelo obscurantismo, Jacob Bronowski faz uma advertência: “Ciência é apenas uma palavra latina para designar conhecimento. Se não galgarmos o próximo degrau, isso será feito por outros povos, da África, da China”.
Eita, será que, levando em conta as agruras de hoje, eu deveria ter escrito, no lugar de “curiosamente”, “profeticamente”?
Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República
Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
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segunda-feira, 29 de junho de 2020


Pedro (apóstolo)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de São Pedro, veja São Pedro (desambiguação).
São Pedro
Santo da Igreja Católica
1° Papa da Igreja Católica
Atividade Eclesiástica
DioceseDiocese de Roma
Eleição30
Fim do pontificado67 (37 anos)
SucessorLino
Ordenação e nomeação
Santificação
Veneração porToda a Cristandade
Principal temploBasílica de São PedroVaticano
Festa litúrgica29 de junho ou domingo seguinte - quando é celebrada a Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo
Atribuiçõesduas chavescruz invertida, rede de pescador
Padroeirodos papas e dos pescadores
Dados pessoais
Nascimento1 a.C.
BetsaidaGalileiaImpério Romano
Morte67 (67 anos)
RomaItália
Nome nascimentoShimon Kepha
(aportuguesado como Simão Pedro)
SepulturaNecrópole Vaticana
dados em catholic-hierarchy.org
Categoria:Igreja Católica
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo
Lista de Papas
São Pedro ou São Pedro Apóstolo, em hebraico:כיפא, em grego koinéΠέτροςPetros, "Rocha", segundo a interpretação católica e ortodoxafragmento (de pedra) para alguns protestantes, [nota 1], em coptaⲠⲉⲧⲣⲟⲥPetros, em latimPetrus (BetsaidaGalileia,[2] século I a.C., — Roma, ca. 67 d.C.)[nota 2][3] foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, segundo o Novo Testamento e, mais especificamente, os quatro Evangelhos.
Historiadores e As Igrejas Católica e Ortodoxa consideram Pedro como o primeiro bispo de Roma[4][5][6] e, por isso, o primeiro papa. Ele seria, até hoje segundo o catolicismo, o detentor do mais longo pontificado da história: cerca de trinta e sete anos.

Nome e importância[editar | editar código-fonte]

Segundo a Bíblia, seu nome original não era Pedro, mas Simão. Aparece ainda uma variante do seu nome original, Simão Pedro, no livro dos Atos dos Apóstolos (Atos 10:18) e na II Epístola de Pedro (II Pedro 1:1).
No Evangelho de João (João 1:42), Cristo muda seu nome para כיפאKepha (Cefas em português), que em aramaico significa "pedra", "rocha", nome este que foi traduzido para o grego como ΠέτροςPetros, "Rocha" segundo a interpretação católicafragmento (de pedra), "pedrinha" segundo a interpretação de alguns protestantes, a qual sustenta que a palavra grega que significa "rocha", "pedra" é πέτραpetra e que, posteriormente, passou para o latim como Petrus.[7]
Ocorre que o aramaico de "fragmento de pedra" ou "pedrinha" é a palavra evna e não kepha, sendo esta última a mencionada nas escrituras e traduzida para o grego Petros, que realmente significa "Rocha".[8]
Na interpretação da Igreja Católica a razão para Jesus ter mudado o nome do apóstolo, bem como seu significado na citação bíblica «Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.» (Mateus 16:18), a chamada Confissão de Pedro, Jesus estava comparando Simão a uma rocha. Desta forma, Cristo seria o fundador da Igreja Católica, do grego "katholikos" que significa para todos ou universal, sendo-lhe concedido, por este motivo, o título de "Príncipe dos Apóstolos" pela Igreja Católica. Esse título é um tanto tardio, visto que tal designação só começaria a ser usada após a sua morte cerca de um século mais tarde, suplementando o de Patriarca.
Na interpretação protestante majoritária, protestantismo histórico ou ainda pentencostais e neopentecostais a "pedra" referida por Jesus é a confissão de fé de Pedro. Segundo tal corrente, o assunto que estava sendo abordado e tratado por Jesus não era sobre a pessoa do discípulo Pedro; mas sim "quem era Jesus", na opinião dos discípulos. Na pergunta de Jesus aos discípulos: «Quem diz o povo ser o filho do homem?» (Mateus 16:13), estes Lhe responderam: "Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias, ou algum dos profetas." e Jesus novamente pergunta: "Mas vós, quem dizeis que sou eu?" e Pedro responde: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo", isto é, que Cristo seria o Messias.[9] De acordo com estes textos da pergunta feita por Jesus aos seus discípulos, entende-se que a pedra seria o próprio Jesus. No grego, a palavra para pedra é petra, que significa uma "rocha grande e maciça", a palavra usada como nome para Simão, por sua vez, é petros, que significa uma "pedra pequena" ou "pedrinha". Nesse sentido, o próprio Pedro, em Atos dos Apóstolos 4:10-12, afirma que a declaração de Jesus se refere a si próprio, e não ao apóstolo:
«Seja notório a todos vós e a todo o povo de Israel que em o nome de Jesus Cristo o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, neste nome está este enfermo aqui são diante de vós. Ele é a pedra, desprezada por vós, edificadores, a qual foi posta como a pedra angular. Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não há outro nome dado entre os homens, em que devamos ser salvos.» (Atos 4:10-12)
Entretanto, alguns estudiosos protestantes, como Nicolaas Ridderbos (en) entendem que a frase "sobre esta pedra" se refira realmente a Pedro pois, partindo da análise contextual e gramatical, "somente Pedro é mencionado neste verso e o trocadilho realmente se refere a ele".[10] Segundo ele, as palavras "sobre esta pedra [petra]" se referem a Pedro. Por causa da revelação que recebeu e da confissão de fé que ele fez, Pedro foi nomeado por Jesus para estabelecer as bases da futura Igreja. Somente Pedro é mencionado neste verso, e o trocadilho com seu nome se aplicou somente a ele. Outra interpretação baseada nas escrituras e ensinos de Jesus Cristo pelos registros dos evangelhos Jesus estava profetizando espiritualmente pois o próprio Jesus afirmou que seu reino não é terreno mas sim espiritual, sendo assim Jesus afirmava que através de suas palavras que repousaria o Espírito Santo sobre Pedro fazendo dele morada de Deus assim como todos os seguidores de Cristo como está escrito: "O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós. Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis." João 14:17-19. E ainda em João 18:36 "Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui." e também o Apóstolo Paulo no meio do Areópago, disse: "O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas;" Atos 17:24,25. Tal interpretação é refutada por outros teólogos protestantes, como Donald Arthur Carson (en), para quem Cristo teria sido enfático em sublinhar a profissão de fé de Pedro e seu papel singular na Igreja, e não dos fiéis como um todo.[11]
De fato, todos os escritos dos Pais da Igreja Primitiva sobre o tema, bem como aqueles dos eruditos católicos, entre os quais se destacam o sacerdote jesuíta Leonel Franca e o teólogo Scott Hahn, asseguram que, em grego koiné do século I, as palavras petros e petra seriam sinônimos, referindo-se assim, ao vocábulo rocha. Em suma, a Confissão de Pedro e sua mudança de nome por Jesus Cristo lhe concediam um papel proeminente na Igreja, principalmente em sua missão de "fortalecer os irmãos" (Lucas 22:32). Estes autores sustentam ainda que, embora a língua difundida no Império Romano nos tempos de Jesus e dos apóstolos fosse o grego koiné, devido à influência helênica na região desde mais de dois séculos antes de Cristo, os judeus do século I falavam principalmente o aramaico, mesma língua em que teria sido escrito originalmente o próprio Evangelho de Mateus. Em aramaico a palavra para fragmento (de pedra) "ou pedrinha" seria a palavra evna e não kepha. Logo. o mais provável é que o a palavra Kephas ou "Cefas", que é transcrita cerca de oito vezes no Novo Testamento ou se encontra traduzida para o grego Petros nos EvangelhosAtos dos Apóstolos e escritos paulinos, realmente signifique rocha e diga respeito à pessoa de Pedro.[12]

Dados biográficos[editar | editar código-fonte]

Mais informações: Primeiros discípulos de Jesus
Estátua na Basílica de Nossa Senhora da Assunção do Mosteiro de São Bento na cidade de São Paulo.
Antes de se tornar um dos doze discípulos de Cristo, Simão era pescador. Teria nascido em Betsaida e morava em Cafarnaum. Era filho de um homem chamado João ou Jonas e tinha por irmão o também apóstolo André. Simão e André eram "empresários" da pesca e tinham sua própria frota de barcos, em sociedade com TiagoJoão e o pai destes, Zebedeu.[13]
Possivelmente Pedro era casado e tinha pelo menos um filho.[14] Sua esposa era de uma família rica e moravam numa casa própria, cuja descrição é muito semelhante a uma vila romana.[15] na cidade "romana" de Cafarnaum.[16]
Segundo o relato em Lucas 5:1-11, no episódio conhecido como "Pesca milagrosa", Pedro teria conhecido Jesus quando este lhe pediu que utilizasse uma das suas barcas, de forma a poder pregar a uma multidão que o queria ouvir. Pedro, que estava a lavar redes com Tiago e João, seus sócios e filhos de Zebedeu, concedeu-lhe o lugar na barca, que foi afastada um pouco da margem.
No final da pregação, Jesus disse a Simão que fosse pescar de novo com as redes em águas mais profundas. Pedro disse-lhe que tentara em vão pescar durante toda a noite e nada conseguira mas, em atenção ao seu pedido, fá-lo-ia. O resultado foi uma pescaria de tal monta que as redes iam rebentando, sendo necessária a ajuda da barca dos seus dois sócios, que também quase se afundava puxando os peixes. Numa atitude de humildade e espanto Pedro prostrou-se perante Jesus e disse para que se afastasse dele, já que era um pecador. Jesus encorajou-o, então, a segui-lo, dizendo que o tornaria "pescador de homens".
Nos evangelhos sinóticos, o nome de Pedro sempre encabeça a lista dos discípulos de Jesus, o que na interpretação da Igreja Católica Romana deixa transparecer um lugar de primazia sobre o Colégio Apostólico. Não se descarta que Pedro, assim como seu irmão André, antes de seguir Jesus, tenha sido discípulo de João Batista.
Outro dado interessante era a estreita amizade entre Pedro e João Evangelista, fato atestado em todos os evangelhos, como por exemplo, na Última Ceia, quando pergunta ao Mestre, através do Discípulo amado (João), quem o haveria de trair ou quando ambos encontram o sepulcro de Cristo vazio no Domingo de Páscoa. Fato é que tal amizade perdurou até mesmo após a Ascensão de Jesus, como podemos constatar em Atos dos apóstolos, na cena da cura de um paralítico posto nas portas do Templo de Jerusalém.[17]
Segundo a tradição defendida pela Igreja Católica Romana e pela Igreja Ortodoxa, o apóstolo Pedro, depois de ter exercido o episcopado em Antioquia, teria se tornado o primeiro Bispo de Roma. Segundo esta tradição, depois de ser milagrosamente solto da prisão em Jerusalém, o apóstolo teria viajado até Roma e ali permanecido até ser expulso com os judeus e cristãos pelo imperador Cláudio, época em que haveria voltado a Jerusalém para participar da reunião de apóstolos sobre os rituais judeus no chamado Concílio de Jerusalém.[18] Após esta reunião, Pedro ficou em Jerusalém. Paulo, Barnabé, Judas (Barsabás) e Silas foram para Antioquia.[19]
Depois de três anos, Paulo volta a Jerusalem para visitar Pedro e com ele fica quinze dias.[20] Quatorze anos depois, Paulo retorna a Jerusalém e lá se encontra com Tiago, Pedro e João.[21]
Tempos depois, por volta da metade do século I, Pedro vai a Antioquia, onde ocorre uma discussão entre ele e Paulo, conhecida como o Incidente em Antioquia.[22]
A tradição da Igreja Católica Romana afirma que depois de passar por várias cidades, Pedro haveria sido martirizado em Roma entre 64 e 67 d.C. Desde a Reformateólogos e historiadores protestantes afirmaram que Pedro não teria ido a Roma; esta tese foi defendida mais proeminentemente por Ferdinand Christian Baur, da Escola de Tübingen. Outros, como Heinrich Dressel, em 1872, declararam que Pedro teria sido enterrado em Alexandria, no Egito ou em Antioquia.[5] Hoje, porém, os historiadores concordam que Pedro realmente viveu e morreu em Roma. O historiador luterano Adolf Harnack afirmou que as teses anteriores foram tendenciosas e prejudicaram o estudo sobre a vida de Pedro em Roma.[5] Sua vida continua sendo objeto de análise, mas o seu túmulo está localizado na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o qual foi descoberto em 1950 após anos de meticulosa investigação.[6]
Alguns pesquisadores acreditam que, assim como Judas Iscariotes, Pedro tenha sido um zelota, grupo que teria surgido dos fariseus e constituía-se de pequenos camponeses e membros das camadas mais pobres da sociedade. Este supostamente estaria comprovado em Marcos 3:18, assim como em Atos 1:13, no entanto, o certo "Simão, o Zelote" é na realidade uma pessoa distinta dentre as nomeações descritas nas referidas citações.

O primado de Pedro segundo a Igreja Católica[editar | editar código-fonte]

Cristo entrega as chaves do céu a Pedro
PeruginoCapela Sistina
Ver artigo principal: Confissão de Pedro
Toda a primeira parte do Evangelho gira em torno da identidade de Jesus. Quando perguntado, Simão foi o primeiro dos discípulos a responder essa pergunta: Jesus é o filho de Deus. É esse acontecimento que leva Jesus a chamá-lo de Pedro e é conhecido como Confissão de Pedro.
Encontramos o relato do evento em Mateus 16:13-19: Jesus pergunta aos seus discípulos (depois de se informar do que sobre ele corria entre o povo): "E vós, quem pensais que sou eu?".
Simão Pedro, respondendo, disse: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Jesus respondeu-lhe: "Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isso, e sim Meu Pai que está nos céus. Também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja[23] e as portas do Hades[24] nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus. E o que desligares na terra será desligado[25] nos céus".João 21:15-17 e Lucas 22:31 também falam a respeito do primado de Pedro dever ser exercido particularmente na ordem da Fé, e que Cristo o torna chefe:
Jesus disse a Simão (Pedro): "Simão, filho de João, tu Me amas mais do que estes?" Ele lhe respondeu: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo". Jesus lhe disse: "Apascenta Meus cordeiros". Segunda vez disse-lhe: "Simão filho de João, tu Me amas?" - "Sim, Senhor", disse ele, "tu sabes que te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta Minhas ovelhas". Pela terceira vez lhe disse: "Simão filho de João, tu Me amas?" Entristeceu-se Pedro porque pela terceira vez lhe perguntara 'Tu Me amas?' e lhe disse: "Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo". Jesus lhe disse: "Apascenta Minhas ovelhas." (João 21:15-17).«Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; Eu, porém, orei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos.» (Lucas 22:31-32)

O apóstolo Pedro, o primeiro Bispo de Roma[editar | editar código-fonte]

A comunidade de Roma foi fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo e é considerada a única comunidade cristã do mundo fundada por mais de um apóstolo e a única do Ocidente instituída por um deles. Por esta razão desde a antiguidade a comunidade de Roma (chamada atualmente de Santa Sé pelos católicos) teve o primado sobre todas as outras comunidades locais (dioceses); nessa visão o ministério de Pedro continua sendo exercido até hoje pelo Bispo de Roma (segundo o catolicismo romano), assim como o ministério dos outros apóstolos é cumprido pelos outros Bispos unidos a ele, que é a cabeça do colégio apostólico, do colégio episcopal. A sucessão papal (de Pedro) começou com São Lino (67 d.C.) e, atualmente é exercida pelo Papa Francisco, eleito em 13 de março de 2013. Segundo essa visão, o próprio apóstolo Pedro atestou que exerceu o seu ministério em Roma ao concluir a sua primeira epístola: "A [Igreja] que está em Babilônia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, meu filho.".[26] Trata-se da Igreja de Roma.[27] Assim também o interpretaram todos os autores desde a Antiguidade, como abaixo, como sendo a Roma Imperial (decadente). O termo não pode referir-se a Babilônia sobre o Eufrates, que jazia em ruínas ou à Nova Babilônia (Selêucia) sobre o rio Tigre, ou à Babilônia Egípcia cerca de Mênfis, tampouco a Jerusalém; deve, portanto referir-se a Roma, a única cidade que é chamada Babilônia pela antiga literatura cristã.[28]

Testemunhos históricos de Pedro em Roma[editar | editar código-fonte]

Os historiadores atualmente acreditam que a tradição católica esteja correta; igualmente, muitas tradições antigas corroboram a versão de que Pedro esteve em Roma e que ali teria sido martirizado.
  • Clemente, terceiro bispo de Roma e discípulo de Pedro, por volta de (96 d.C.), em sua Epístola aos Coríntios, faz clara alusão ao martírio deste e de Paulo em Roma:
Todavia, deixando os exemplos antigos, examinemos os atletas que viveram mais próximos de nós. Tomemos os nobres exemplos de nossa geração. Foi por causa do ciúme e da inveja que as colunas mais altas e justas foram perseguidas e lutaram até a morte. Consideremos os bons apóstolos. Pedro, pela inveja injusta, suportou não uma ou duas, mas muitas tribulações e, depois de ter prestado testemunho, foi para o lugar glorioso que lhe era devido. Por causa da inveja e da discórdia, Paulo mostrou o preço reservado à perseverança. Sete vezes carregando cadeias, exilado, apedrejado, tornando-se arauto no Oriente e no Ocidente, ele deu testemunho diante das autoridades, deixou o mundo e se foi para o lugar santo, tornando-se o maior modelo de perseverança. .[29]
  • Inácio de Antioquiabispomártir e também discípulo de Pedro, em cerca de (107 d.C.), em sua Epístola aos Romanos, a qual fora dirigida à comunidade cristã lá situada, refere-se nos seguintes termos ao martírio de Pedro e Paulo em Roma:
"Não vos dou ordens como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, eu sou um condenado. Eles eram livres, e eu até agora sou um escravo".[30]
Papias, bispo de Hierápolis, atesta a atribuição do segundo evangelho a Marcos, “intérprete” de Pedro em Roma. O livro teria sido composto em Roma, depois da morte de Pedro (prólogo antimarcionita de século IIIreneu) ou ainda durante sua vida (segundo Clemente de Alexandria). Quanto a Marcos, foi identificado como João Marcos, originário de Jerusalém (At 12,12), companheiro de Paulo e Barnabé (At 12,25; 13,5.13; 15,37-39; Cl 4,10) e, a seguir, de Pedro em “Babilônia” (isto é, provavelmente, em Roma) segundo 1Pd 5,13.[31]
Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina do Evangelho. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente.[32]
  • Gaio, presbítero romano, em 199 d.C.:
Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Ide à Via Ostiense e lá encontrareis o troféu de Paulo; ide ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro.
Gaio dirigiu-se nos seguintes termos a um grupo de hereges: Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja.[33]
Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve que fosse crucificado de cabeça para baixo[34]
Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo.[35]
Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo." e ainda "Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado.
Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.[36]
  • Formado como jurista Tertuliano (155–222) falou da morte de Pedro em Roma:
A Igreja também dos romanos pública - isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas - que Clemente foi ordenado por Pedro.
Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!" - e falando da Igreja Romana, "onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor.
Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz.[37]
  • Eusébio (263-340 d.C.) Bispo de Cesareia, escreveu muitas obras de teologiaexegeseapologética, mas a sua obra mais importante foi a História Eclesiástica, onde ele narra a história da Igreja das origens até 303. Refere-se ao ministério exercido por Pedro:
Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade.
A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, CletoClemente etc...[38]
Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro.[39]
Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, e que Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou.[40]
A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.[41]
A Pedro sucedeu Lino.[42]
Logo, apesar das opiniões divergentes que surgiram a partir da Reforma Protestante, era constante, unânime e ininterrupta a tradição segundo a qual Pedro pregou o evangelho em Roma e lá encontrou o martírio, o que é robustecido pelos escritos dos Pais da Igreja e pela arqueologia.

Os textos escritos pelo apóstolo[editar | editar código-fonte]

Novo Testamento inclui duas epístolas cuja autoria é atribuída a Pedro: A Primeira epístola de São Pedro e a Segunda epístola de São Pedro.

Indícios arqueológicos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Túmulo de São Pedro
Baldaquino da Basílica de São Pedro: O túmulo de São Pedro encontra-se diretamente abaixo desta estrutura. Bernini, 1633
A partir da década de 1950, intensificaram-se as escavações no subsolo da Basílica de São Pedro, lugar tradicionalmente reconhecido como provável túmulo do apóstolo e próximo de seu martírio no muro central do Circo de Nero. Após extenuantes e cuidadosos trabalhos, inclusive com remoção de toneladas de terra que datava do corte da Colina Vaticana para a terraplanagem da construção da primeira basílica na época de Constantino, a equipe chefiada pela arqueóloga italiana Margherita Guarducci encontrou o que seria uma necrópole atribuída a Pedro, inclusive uma parede repleta de grafitos com a expressão Petrós Ení, que, em grego, significa "Pedro está aqui".
Também foram encontrados, em um nicho, fragmentos de ossos de um homem robusto e idoso, entre 60-70 anos, envoltos em restos de tecido púrpura com fios de ouro que se acredita, com muita probabilidade, serem de Pedro. A data real do martírio, de acordo com um cruzamento de datas feito pela arqueóloga, seria 13 de outubro de 64 d.C. e não 29 de junho, data em que se comemorava o traslado dos restos mortais de Pedro e São Paulo para a estada deles nas Catacumbas de São Sebastião durante a perseguição do imperador romano Valeriano em 257 d.C.

Iconografia[editar | editar código-fonte]

A mais antiga imagem conhecida do apóstolo Pedro foi descoberta em 2010 em catacumbas sob a cidade de Roma, e data do século IV. No mesmo lugar, foram também descobertas imagens dos apóstolos PauloAndré e João. As obras fazem parte de um grupo de pinturas em torno de uma imagem de Jesus Cristo como o Bom Pastor no teto do que os estudiosos acreditam ter sido o túmulo de um nobre romano.[43]

Devoção nas Religiões Afro-brasileiras[editar | editar código-fonte]

É sincretizado nas religiões afro-brasileiras com o orixá Xangô[44] sendo que na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, o sincretismo se dá com o orixá Exu.[45]

Notas

  1.  A palavra grega que significa "rocha" ou "pedra" é πετραpetra;[1]
  2.  segundo a tradição bíblica

Referências

  1.  «Bible Lexicon». Bible Lexicon. Consultado em 12 de setembro de 2010
  2.  Rami Arav, Richard A. Freund (novembro de 2014). Bethsaida: A City by the North Shore of the Sea of Galilee Betsaida: Uma cidade na Margem Norte do Mar da Galileia (em inglês). [S.l.]: Truman State University Press. 310 páginas. ISBN 1931112398
  3.  «Catholic Encyclopedia (1913)/St. Peter» (em inglês). A data da morte de Pedro é incerta, considerando-se o período compreendido entre julho de 64 (início da perseguição de Nero) e o início de 68 (em 9 de julho Nero fugiu de Roma e suicidou-se). A data de sua morte deve ser deixada em aberto. O dia do seu martírio também é desconhecido; 29 de junho, dia aceito de sua festa desde o século IV, não pode ser provado como sendo o dia da sua morte. (texto traduzido da fonte). Wikisource. Consultado em 20 de janeiro de 2016
  4.  Wilken, p. 281, quote: "Some (Christian communities) had been founded by Peter, the disciple Jesus designated as the founder of his church. ... Once the position was institutionalized, historians looked back and recognized Peter as the first pope of the Christian church in Rome"
  5. ↑ Ir para:a b c Josef Burg Kontrover-Lexikon Fredebeul&Coenen, Essen, 1903.
  6. ↑ Ir para:a b Oxford Dictionary of the Christian Church (Universidade de Oxford - 2005) ISBN 978-0-19-280290-3), artigo "Pope"
  7.  «Vida de São Pedro»IJF. 29 de junho de 2018. Consultado em 1 de outubro de 2019
  8.  FRANCA, Leonel. A Igreja, a Reforma e a Civilização. 3ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1934.
  9.  Religion: Peter & the Rock (Dec. 07, 1953_em inglês)
  10.  H. N. Ridderbos. Matthew. trans. by Ray Togtman (Grand Rapids: Regency Reference Library, 1987), 303
  11.  Donald Arthur Carson. "Matthew," in Expositor’s Bible Commentary. Ed. Frank E. Gaebelein, J. D. Douglas, and Walter Kaiser, vol. 8 [Grand Rapids: Zondervan, 1984], 368
  12.  FRANCA, Leonel. A Igreja, a Reforma e a Civilização. 3ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1934.
  13.  Lucas 5:1-11
  14.  Stromata III, VI
  15.  Lucas 5:17-26
  16.  A cidade de Cafarnaum possuía status de cidade romana
  17.  Atos 3:1-8
  18.  Atos 15:2-7
  19.  Atos 15:22-30
  20.  Gálatas 1:18
  21.  Gálatas 2:1-10
  22.  Gálatas 2:11-14
  23.  O termo semítico que traduz o termo grego εκκλησία, "ekklesia" é assembléia, freqüentemente encontra-se no Antigo Testamento para designar a comunidade do povo eleito (Deuteronômio 4:40, por ex.).
  24.  Hades (hebraico Sheol), cujas "portas" personificadas evocam as potências do Mal que Cristo garante que jamais prevalecerão contra Sua Igreja. Cristo para designar todo o poder do Mal usou o termo "portas", da mesma forma o Reino de Deus tem portas, na sequência Pedro recebe suas chaves. É por esta razão que Pedro é, geralmente representado com chaves na mão e como porteiro do Paraíso
  25.  . Cabe a Pedro abrir ou fechar o acesso ao Reino dos Céus, por meio da Igreja. "Ligar" e "desligar" são dois termos técnicos da linguagem rabínica que referem-se primeiramente ao domínio disciplinar da excomunhão, também referem-se as decisões doutrinais ou jurídicas. Responsável por administrar a comunidade em matéria de Fé e de moral.
  26.  I Epístola de Pedro 5,13
  27.  Cf. Ap. 14,8 ; 16,19 ; 17,5.
  28.  Apoc., xvii, 5; xviii, 10; "Oracula Sibyl.", V, versos 143 e 159, ed. Geffcken, Leipzig, 1902, 111.
  29.  http://www.earlychristianwritings.com/text/1clement-lightfoot.html
  30.  Coleção, Patrística, Vol. 1, Padres Apóstólicos, 1ª Edição, Ed. Paulus, 1995, pág. 105
  31.  em Introdução ao Evangelho Segundo Marcos, contido na TEB - versão que segue a edição francesa tanto nas Introduções como nas Notas, Edições Loyola, pag. 1234
  32.  Fragmento conservado na História Eclesiástica de Eusébio, II,25,8.
  33.  Eusébio, História Eclesiástica, 1125, 7.
  34.  Com. in Genes., t. 3
  35.  Fragmento conservado na "História Eclesiástica" de Eusébio, III,1.
  36.  L. 3, c. 1, n. 1, v. 4
  37.  Scorp. c. 15
  38.  ii. 27 - Sales, St. Francis de, The Catholic Controverse, Tan Books and Publishers Inc., USA, 1989, pp. 280-282.
  39.  In: Syn.
  40.  De Sch. Don.
  41.  Epístola 55,14.
  42.  Ep. 53, ad. Gen.
  43.  «Oldest known images of apostles found» (em inglês). CNN. 23 de junho de 2010. Consultado em 2 de setembro de 2014A imagem do apóstolo Pedro é a de nº 6
  44.  «Dia de São Pedro - Raizes Espirituais»Raizes Espirituais. 29 de junho de 2016
  45.  «Saiba a diferença entre Iemanjá e Nossa Sra dos Navegantes»Terra