sábado, 10 de dezembro de 2016


Lenho da cruz
 
Geraldo Duarte*
 
Em capítulo de seu livro, Portugal Insólito, o escritor Joaquim Fernandes trata de crenças e superstições lusas sobre árvores tidas milagrosas, como o gigantesco carvalho de Leça do Balio e o pinheiro santo de Macinhata.

Fenômenos naturais às atingiram, provocando clamor místico e pedacinhos dos vegetais tornaram-se disputados amuletos. Padecentes de males físicos na busca da cura sobrenatural.

No dizer comum, história puxa outra e, eis aqui, a realidade trazida pela memória.

1972. Chefia de gabinete da Secretaria de Segurança Pública. Atendo a telefonema de um deputado estadual.

Denunciava “atrocidade da polícia, na prisão de inocente religioso”. Mais informou. Doutor Vilemar, advogado, procurar-me-ia e a soltura evitaria pronunciamento dele na Assembleia. E disse “Até logo!”.

Contatei o delegado de plantão e recebi o relato dos fatos.

Padre Ferreira, pároco da Igreja do Patrocínio, pediu a intervenção policial para deter um estelionatário defronte ao templo. Vendia, em pequenos frascos, dos utilizados com penicilina, lasquinhas de madeira, dizendo-as do lenho da crucificação do Senhor. Acompanhados de uma “Oração da Santa Cruz”.

O número de fiéis solicitando do vigário a benção dos objetos já era grande.

Detido o contraventor, em sua residência foram apreendidos quase trezentos talismãs e as tais orações.

O causídico não veio a mim, o ínclito delegado Wanderley Girão Maia adotou os procedimentos rotineiros e o parlamentar não realizou a pronunciação.

Lembro-me, inclusive, do comissário Queiroga afirmando que, “mesmo com tantos patuás e o sobrenome Santos, não escapou da cadeia.”.
 
                                  *Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.


Um comentário:

  1. 11.12.2016 - FINALMENTE ENCONTREI UM TEMPO, NO MEU EXAURIDO TEMPO, ENTREESPAÇOS DESENCONTRADOS DOS MEUS PRÓPRIOS INFINITOS DELÍRIOS DE ENCONTRO E REENCONTRO COM OS GRANDES LITERATAS NORTERIOGRANDENSES, COMO OS PINÇADOS, HOJE, COM HONRA, OS QUAIS DIÓGENES DA CUNHA LIMA E MARIZE CASTRO. TIVESSE EU CONHECIMENTO DESTE DROMEDÁRIO VEICULAR DA LITERATURA, PRINCIPALMENTE, DOS REMANSOS DESSAS INTELECTUALIDADES, QUE SEMPRE AQUI TRANSITAM, ESTARIA PREENCHIDA A BIBLIOTECA MINUTO DIÁRIO DO MEU EGO-LEDOR. FAZER O QUE ? NEM TODO MUNDO SABOREIA TODOS OS MELHORES DOCES FEITOS NESTE PLANETA. QUEM ME DERA, OH DEUS ! UM DIA POSSA EU TOCAR(PELO MENOS) ESSAS PRECIOSIDADES LITERÁRIAS POTIGUARES, COMO VENHO MENDIGANDO. PELOS TÍTULOS E AUTORES (“vigência da lei de Deus”, DIÓGENES DA CUNHA LIMA; “a mesma fome”MARIZE CASTRO; “Portugal insólito” GERALDO DUARTE),SÃO OBRAS ESPETACULARES, QUE PRECISO LER. SILVA NETO - PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS ESCRITORES MOSSOROENSES-ASCRIM

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