sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O JUNDIAÍ DE CHICO CABRAL

Valério Mesquita*

O médico e pesquisador Olímpio Maciel passou-me às mãos um documento precioso da década de 1920. Recebeu-o em 1988, de Apolônio Lima, já falecido.
Apolônio trabalhou com o meu avô e o meu pai numa loja de tecidos e perfumaria que existiu à Rua João Pessoa, hoje Nair de Andrade Mesquita, no centro de Macaíba. Autodidata, probo, solidário e amigo, Apolônio amou Macaíba como poucos. Dele guardo um depoimento inesquecível, intitulado “Macaíba que Conheci”, o qual encartei no livro “Macaíba de Seu Mesquita”. Considerava-o como tio, face à fraternidade e à amizade com que a família distinguia a sua lealdade e consideração. Gostava de retratar os fatos pitorescos e políticos do Município e os relatava sempre que podia. Sobre o Jundiaí F.C., por exemplo, cujo presidente era Francisco Cabral, ex-prefeito de São Paulo do Potengi e de São Pedro, criado por ele.
Chico Cabral viveu muitos anos em Macaíba, trabalhando com Manoel Mauricio Freire (Neco Freire), chefe político local da situação. O Jundiaí F.C. excursiona aos municípios vizinhos como Monte Alegre, São José do Mipibu, Caiada, Serra Caiada, Panelas, São Gonçalo, Igreja Nova e Campestre. Era o timão de Macaíba. Mas Chico Cabral não deixava escapar nunca a sua verve, o seu humor, em qualquer momento. Mandou o secretário do clube, Apolônio Lima, lavrar uma portaria consignando, pro tempore, pseudônimos de todos os jogadores integrantes do plantel. E começando por ele mesmo, intitulou-se Manda Chuva; Manoel Pereira – Saia Veia; Apolônio Lima – Cabeçudo; Paulo Mesquita – Vantajoso; Otacílio Alecrim – Galo Assado;  Paulo Marinho – Boca de Cu de Galinha; José Rosendo – Jaca Mole; Artur Pessoa - Mestre Artur; Olimpio Pessoa – Chulé; Anízio Batista – Beete; Delfino Batista – Vela Branca; Ambrosio Soares – Gafanhoto de Jurema; José Adolfo Dias – Fudias; Getúlio Silva – Alicate; Joaquim Marinho – Xexeiro; Ranilson Almeida – Trouxa Suja; Osacar Teixeira – Cavalo Selvagem; Antônio Lucas – Mijão; Quinho Chaves – Mel de Furo; Manoel Alves – Bufante; João Chianca – Suvaqueira; Silvio Medeiros – Trovoada; José Felix Mesquita – Bobeira e Virgilio Pinheiro – Lalaia.
Todas essas pessoas jogavam futebol e faziam parte de elite social, cultural e comercial de Macaíba, lá pela década de 1920. Foi um período áureo da vida de Macaíba que os anos não trazem mais. Apolônio resgatou uma fase esportiva, jocosa e histórica de mais de oitenta anos passados, a qual, graças a Olímpio Maciel Neto, pesquisador e memorialista, o tempo não destruirá esse e outros documentos guardados nos arquivos do Instituto Pró-Memória de Macaíba, uma das melhores coisas que aconteceu na cidade, graças ao esforço pioneiro dele, de Franklin Garcia, Arthur Mesquita Neto, entre outros abnegados.
(*) Escritor.


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