quarta-feira, 20 de abril de 2016

JANSEN LEIROS


Tradicionalmente, os LEIROS constituem uma família de classe média e é originária da Península Ibérica.
Na verdade, não se sabe ao certo sobre o surgimento dessa família, pois que as primeiras pessoas portando o sobrenome LEIROS foram encontradas na província de LEIRIA – nordeste de PORTUGAL e que carregavam com carinhosa cautela, uma antiga lenda, uma lembrança ancestral de que seriam descendentes de antigos Judeus.
Seguindo-se esse roteiro, tendo como berço a Península Ibérica, embasamos nossas suposições na possibilidade de que essa família tenha surgido em razão das perseguições da Igreja Católica ao povo hebraico que se espalhara pelo continente europeu para fugir das fogueiras e das forcas instrumentalizadas  pelo cardeal TORQUEMADA, comandante em chefe daquela perseguição religiosa, a qual enegrecera a história da Igreja naquele continente.
Diz-nos a tradição oral, que, ao longo da idade média, a Saxônia teria recebido um respeitável contingente de Judeus os quais teriam adotado ou aceito as doutrinas de Lutero e Calvino, aumentando as preocupações de Roma, quanto ao desenvolvimento  da Reforma que se constituía um perigo. Uma temeridade que deveria ser  contida   ”a unhas e dentes”.!
Diante dessa circunstância, a perseguição da Igreja foi aumentando e em consequência, os protestantes que habitavam a Europa Central, temerosos, começaram a fugir, também, e optaram por descer os Pirineus em busca dos campos portugueses ou mesmo da possibilidade de alcançarem o Oceano Atlântico que não possuía, ainda,  muitos atrativos para os perseguidores, na direção do Além Mar.
De fato, a fuga dos evangélicos estava sendo realizada a pé, pelas montanhas, o que era por demais penosa, cansativa e levava consigo o desejo das desistências, convidando-os a adentrarem-se pelas fronteiras luso-espanholas, aonde poderiam  abrigar-se com maior segurança.  Essa fuga, além de penosa,  era por demais perigosa.
Foi ai que os evangélicos foram se instalando, cansados das caminhadas quase intermináveis, em ambientes  insólitos e irregulares do território português.
Certa vez, visitando a Torre do Tombo, em Belém, conversei com um senhorzinho, (suponho octogenário) ao qual questionei sobre a origem dos LEIROS. Aquele senhor me respondeu que, segundo a tradição oral, famílias judias, descidas dos territórios alemão e francês se fixaram na LEIRIA e, gradativamente foram se espalhando pelo território português,   à Espanha..
Que os patrícios daquela região, sociáveis que eram, orientaram os estrangeiros para adotarem novos nomes e sugeriram o da província, sugerindo, também, para o
aprendizado da língua da Península. Assim, os hotentotes foram se espalhando, e  logo, logo atravessaram o Atlântico, começando a adentrarem-se em território brasileiro, aonde hoje residem mais de trezentos cidadãos com esse nome de família.


O PRIMEIRO “LEIROS” EM TERRITÓRIO BRASILEIRO

Deve-se a Wellington de Campos Leiros o haver direcionado suas atenções, no campo da pesquisa, à existência de nossa própria família, os “LEIROS”.
O patriarca da linhagem da qual descendemos, foi nosso avô, JOÃO VITERBINO DE LEIROS, cujos dados genealógicos vão anotados a seguir, graças ao denodo desse primo, arrojado e decidido.
Wellington nos outorgou os manuscritos de suas pesquisas sobre os “LEIROS”, até haver chegado às suas mãos as notas do Monsenhor Severino Bezerra, inseridas no livro “LEVITAS DO SENHOR” sobre o assassinato do Pe. Antônio Gomes de Leiros, primeiro padre nomeado para a paróquia de Nísia Floresta, deste Estado, perpetrado pelo fazendeiro, TOMAZ MARINHO.

JOÃO VITEREBINO DE LEIROS, natural do Rio Grande do Norte, nasceu em 27 de maio de 1882, na cidade de Natal, onde veio a falecer aos 15 de abril de 1958.
No Brasil, ao que se sabe, seus antepassados originaram-se, pelo lado paterno, de Felipe Gomes de Leiros, oriundo de Elvas, no Alentejo e pelo lado materno, de Gil Fernandes Fagundes, todos emigrantes portugueses, chegados no Estado da Paraíba.
Os Fagundes eram originários de Merufe, na região do Minho, descendentes dos conquistadores da Vila de Chaves, em Trás os Montes.
A tradição oral diz que Felipe participara da “Batalha de Almanza”, na Guerra de Sucessão
Espanhola; que se ferira em combate e, em razão desse fato, dera baixa e viera para o Brasil a procura de fortuna.
Na Paraíba, requerera e fora agraciado, juntamente com Antônio Ribeiro de Oliveira com uma data de sesmaria, título nº 635, de 8 de maio de 1767, no Governo de Jerônymo José de Melo Castro, com a concessão de terras, no sertão de Piancó, conforme faz o que ali se transcreve: “Synopsis das Sesmarias da Capitania da Parahyba – Tomo I 1793 – às fls 181 a 182 – 1793. Nº 316 – Sertão do Piancó-Governo de Jerônimo José de Mello Castro, Documento datado de 08 de maio de 1767.”

Wellington nos relata, ainda, que Felipe Gomes de Leiros, ali , no sertão do Piancó, fundara a fazenda que denominara de “Nova-Elvas”, em homenagem à sua terra natal, no Alentejo.
Com a morte de Felipe, todos os seus bens foram deixados para seu filho, André Gomes de Leiros.
O historiador Irineu Jofilly fez anotar em seu livro as seguintes datas referentes à família de André Gomes de Leiros: que casara com Brites de Oliveira, da família Oliveira Ledo, tendo com ela os seguintes filhos: Martim Gomes de Leiros, que à época da chacina tinha 22 anos; Justo Gomes de Leiros, com 17; Mathilde Gomes de Leiros, com 15 anos e Maria Gomes de Leiros, com 13 anos. (Todas essas idades estão compatíveis como ano de 1793).

Tudo acontecera em janeiro de 1793. A chacina dos Leiros!  Escapou dela, Martim Gomes de Leiros, pois que teria ido à Vila de Pombal, tratar da mudança e instalação da família, quando sobreveio o ataque dos negros chefiados por “Crauna”, neto do Zumbi dos Palmares. 

Os anos se passaram!
Não se tinham mais notícias dos Leiros de Piancó.
Ali estava aparentemente encerrado o capitulo sobre a presença dos Leiros, em território brasileiro.
Mesmo assim, as esperanças de Wellington não haviam sido sepultadas inteiramente e ele passou a catalogar, um a um, nossos parentes e, como num “livro de tombo”, seguiu as anotações a partir de seus respectivos nascimentos, como um pai, vigilante e atento.
É bom que se registre que a ele, somente a ele, cabe o mérito de todo esse trabalho: minucioso, cauteloso, cuidadoso e, acima de tudo autêntico, no que diz respeito aos critérios seguidos e copiados dos que nos antecederam em outros procedimentos do gênero. 
Acrescente-se que se deve ao primo Wellington a autorização para que pudéssemos adotar os dados de sua pesquisa e, com eles, (aqueles dados) pudéssemos prosseguir na tarefa anteriormente traçada.
Aqui, nossa gratidão e nossa solidariedade!
Corria o ano de 1833 (40 anos depois daquele fato tão triste - o massacre da família Leiros, nos sertões do Piancó) Na paróquia de Nísia Floresta, havia sido nomeado, para a Paróquia de Nísia Floresta, o Pe. Antônio Gomes de Leiros, conforme registrou o Monsenhor Severino Bezerra em seu livro Levitas do Senhor.
Algo nos despertou a curiosidade!
O primeiro Leiros chegado ao Brasil, sendo agraciado com a “data de “sesmaria”, de nº 635, registrada em 08 de maio de 1767,  viera de Elvas, no Alentejo, razão pela qual batizou-a  com o nome de “Nova-Elvas”, sua terra natal.
Coincidência ou não, Felipe Gomes de Leiros tinha sobrenome e nome de família idênticos ao Pe. Antônio Gomes de Leiros.
Parece-nos que não há dúvidas quanto à presença do primeiro cidadão “Leiros” em território brasileiro, ocorrido no Estado da Parahyba, nos idos do séc. XVIII.
A denominação ou o título de propriedade, “data de sesmarias”, conferido pelo reino de Portugal, aos compatriotas que requeressem essa titularidade, permite-nos ratificar a existência de seus titulares.
FELIPE GOMES DE LEIROS, de fato e de direito,  fora agraciado com um titulo desses para criação de gado e plantação de subsistência. 
Havendo o beneficiário denominado aquela sesmaria como “Nova-Elvas, sua terra natal, tal atitude vem ratificar sua procedência, tornando-se inconfundível! Inquestionável!
Tal designação se vê no corpo do documento referido. A sesmaria aludida está noticiada por dois ilustres cidadãos (historiadores) Irineu Joffily e Lyra Tavares, anotada na pág 517, no livro próprio. (Livro das sesmarias).
Não havendo quaisquer outras notícias que mencione o nome de FELIPE GOMES DE LEIROS, não há como contestar (por exclusão) a veracidade de sua presença como o primeiro “LEIROS” radicado em terras do Brasil.
Narrando um “Episódio da Seca de 1.793”, um historiador da Parayba, conta como foi invadida a Sesmaria denominada “Nova-Elvas”, pelos quilombolas chefiados por um neto do Zumbi, da qual era titular o Sr. FELIPE GOMES DE LEIROS.(desculpem-nos as repetições)
O historiador narra, também, como foram mortos os familiares do proprietário, de cujo massacre somente escapou o filho, MARTIM GOMES DE LEIROS.
Eis as evidências!  Eis as coincidências! Resta-nos encontrar e demonstrar a existência dos liames que ligam:
FELIPE GOMES DE LEIROS (1) nascido em Portugal e falecido no no Brasil, no século 18º (no massacre já  aludido) e  o Padre ANTÔNIO GOMES DE LEIROS, do qual não se dispõe da certidão de nascimento, portanto  eis as razões de desconhecer-se sua paterenidade.
Diz a tradição oral que a Diocese pôs obstáculos ao fornecimento das informações.
É o que se sabe da história dessa família radicada no Brasil e que, ainda hoje,  cultiva o BRASÃO DA FAMÍLIA LEIROS PORTUGUESA.
Que esta ESTÓRIA possa transformar-se em HISTÓRIA, face às evidências.
  Jansen Leiros*
Da Academia Macaibense de Letras
Da Academia Norte-rio-grandense de Trovas
Da União Brasileira de Escritores
Do Instituto Histórico e Geográfico do RN




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