sexta-feira, 1 de abril de 2016


DISCURSO DE POSSE DOS NOVOS SÓCIOS DO IHGRN – 29/03/2016

Senhor Presidente,
Senhores Diretores,
Cidadãos e cidadãs presentes a esta solenidade.

                        Várias são as linguagens do aprendizado existencial. E algumas frases trazem o efeito dessa ilustração: “A história é a mestra da vida” (Cícero); “A filosofia é uma preparação para a morte” (Sócrates); “A arte justifica o sofrimento da vida” (Schopenhauer).

                        Ocorre que fui designado para falar, neste evento, em nome dos onze novos sócios deste importante, tradicional e secular Instituto  -  “Casa da Memória” de nosso Estado.

                        Missão honrosa, pois tratam-se de pessoas de alto valor e muito queridas em nosso meio social.

                        E de repente, não uma frase, mas versos vêm ilustrar essa unidade paradoxalmente plural e que, por ação do imaginário em nosso inconsciente, faz-nos pressentir, em determinados momentos, que somos mais que um. E os versos, belos versos de nosso Mário de Andrade, que julgava sepultados na estância da memória de meus vinte anos, eclodem sem licença e quase sem aparente explicação:

                        “Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
                        Mas um dia afinal eu toparei comigo...
                        Tenhamos paciência, andorinhas curtas,
                        Só o esquecimento é que condensa,
                        E então minha alma servirá de abrigo.”

                        Talvez porque hoje condensados na memória de quem avança na idade, de quem se desprende e abre o coração além de sua própria individualidade e compreende o outro  -  o semelhante, o próximo  -  em sua essencialidade de igual, de amigo, de irmão. Como os trezentos do imaginário de Mário de Andrade, ou como os trezentos espartanos históricos de Leônidas.

                        Dessa forma, e neste sentido de união e irmandade, a minha voz faz-se voz e saudação destes doze novos sócios do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, que chegam com o propósito de integração, de solidariedade, de ajuda na preservação e ampliação de tão importante acervo de nossa memória coletiva.

                        Portanto, aqui nos fazemos presentes, eu, 
HORÁCIO DE PAIVA OLIVEIRA, e meus colegas e amigos 
ALBERTO GONDIM DE FREITAS
ANTONIA ALVES DE AMORIM MORAIS
EULÁLIA DUARTE BARROS
FRANCISCO DE SALES FELIPE
HÉLIO FERNANDES SILVA
HENRIQUE EDUARDO DE OLIVEIRA
JOSÉ CLAUDINO LEITE FILHO
LUIZ GONZAGA DE MEDEIROS BEZERRA DA CUNHA DE ALBUQUERQUE
                                                                                                         MESQUITA
MARCOS ANTONIO CAMPOS
RENAN II DE PINHEIRO E PEREIRA
OSWALDO JOSÉ DE PAULA BARBOSA

                        Nesta oportunidade, queremos demonstrar a nossa gratidão àqueles que nos convidaram ao honroso convívio associativo nesta egrégia entidade.

                        E dizemos de nosso agrado, de nosso olhar elogioso e afirmativo que se dirige à administração que hoje encerra seu mandato, responsável não apenas pelas obras físicas de conservação, restauração e reformulação da Casa, mas ainda  -  e quiçá, sobretudo  -  pelo chamamento à participação daqueles que em nosso Estado amam a história e guardam, em profundidade, o sentimento de sua importância e de seus ensinamentos, como templários da memória.

                        E podemos dizer-nos também felizes porque, conhecendo os componentes da nova diretoria  -  a quem expressamos nossos parabéns, porquanto hoje empossados  -  e seu inegável potencial de  criatividade, temos a clara expectativa da magnitude do trabalho que desenvolverão.

                        Finalmente, seguindo o otimismo que anima o trabalho desenvolvido nesta Casa, não encerrarei minhas palavras com o desespero expresso naqueles trágicos e belos versos de Camões no final d’Os Lusíadas, quando lamentava o declínio de Portugal (“No mais, Musa, no mais, que a Lira tenho/ Destemperada e a voz enrouquecida (...)”, não obstante também viver nossa Pátria momentos de grande turbulência econômica e política.   

                        Ao contrário, formulo o convite da esperança, aquela esperança que jorra e corre da eterna fonte, de Deus e do amor, nunca esquecida ou desprezada, e com sensibilidade celebrada pelo santo e grande poeta espanhol San Juan de la Cruz, em versos inolvidáveis, de beleza excelsa e pureza visionária, aqui destacados:

“Que bien sé yo la fuente que mana y corre
                        aunque es de noche.

Aquella eterna fuente está ascondida,
que bien sé yo do tiene su manida,
                        aunque es de noche.”
(...)

“Aquesta viva fuente que deseo,
en este pan de vida yo la veo,
                        aunque es de noche.”

                        Façamos, pois, deste momento de integração e fraternidade, nesta Casa onde se preservam a memória e o passado, um compromisso com o futuro e com a esperança!

                        Horácio Paiva

                        E-mail: horacio_oliveira@uol.com.br



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