quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Valério Mesquita




CRÔNICA DAS VELHAS FIGURAS I

Valério Mesquita*

Um escriba oficial da prefeitura com a consciência presa no cofre municipal, escreveu que “Macaíba de antigamente, era uma cidade sem rosto e sem voz”. Com esse título, ele se exibe como um vitorioso mas de alma deserta e de artista sem memória. A sabedoria do papagaio é a imitação. Ele é o papagaio pendurado no ombro do pirata só para falar aquilo que o dono manda. Não aprenderam que “o povo que não tem passado não tem futuro”.
Escrevi dois artigos, intitulados “Crônicas das Velhas Figuras I e II”, para mostrar ao desmemoriado “historiador” do “Informativo Atitude” que antigamente Macaíba tinha rosto, voz, vergonha e honestidade.
Agrada-me discorrer sobre as pessoas que conheci, estimei e admirei ao longo de minha vida. Figuras marcantes que, mesmo simples e humildes, enchiam de humanidade o cotidiano de Macaíba.  As paginas do livro imaginário da historia estão repletas dos seus exemplos, de suas fotos, dos seus gestos e até dos seus sofrimentos. Hoje, na cidade, vultos dessa estirpe vão se rarificando, como se Macaíba tivesse se despovoando de sua dignidade, do seu glamour, de sua inteireza ou de sua própria fisionomia. O aspecto urbano descaracterizou-se. Macaíba é uma legião estrangeira onde os seus reduzidos remanescentes são apenas sombras, nada mais.
Deixando de lado a negra pintura das vestes da cidadela, restituo nessa correspondência sentimental parte dos nomes que fizeram Macaíba nos seus múltiplos aspectos, correndo o risco da omissão, mas o leitor haverá de me perdoar. No comércio, os olhos da minha memória revêem Alfredo de Almeida, Antônio Assis e Severino Aleixo no grande ponto das Cinco Bocas; José Ribeiro em frente ao enchimento de Diógenes Correia de Almeida, na plácida Rua Pedro Velho; no mercado público Pedro Gomes de Souza e Odilon Benício, além de Nil, Nivaldo Lima e Zuleide Azedo; na Rua da Conceição, a minha juventude não pode olvidar os armazéns de Oscar Pinheiro de Souza, Carlos Marinho de Carvalho, Pedro Álvares (Pedoca), de Romão Bezerra, o bar de Zé Distinto, a loja de Cícero Luís e Silva, a loja de Agripino Bandeira e a Casa Gomes, onde Edmilson Dias negociava.
Antes de descer a rua João Pessoa registro a loja de Seu Estevam Alves, gerenciada por Ranilson Costa; as farmácias de Bridenor Trigueiro Costa e Antônio Lucas de Lima, a mercearia de Dedinho (José Leite da Costa), José Mafra, o bar de Jorge Leite da Costa, a sorveteria e a torrefação de Alcides Lucena, além do armazém de Seu Azevedo,  a  bomba  de  gasolina  de  João  Antônio de Lima e as lojas de D. Áurea Pinheiro e José Lucas, pai de Nobre Pinheiro. E por fim, o bar de Seu Emídio Pereira, sem esquecer, contudo, a casa de jogo de Samuel Araújo e a loja de peças de Cornélio Leite Filho e sua cigarreira. Seu José Benevides Campos, Zé Deca, Antônio Natalense, Né Macena, Adelfo Oliveira, Francisco Canindé de Moura, Tácito Rocha Pegado, Chico de Aprígio, Antônio Aureliano, José Paulo do Nascimento, Venâncio Alves, Waldemar Peixoto, Chico Bento, José Amâncio, Eustáquio Alves de Farias, Benedito Pinheiro Borges, Manoel Firmino de Medeiros, Edgar Dantas, Francisco Saraiva Maia, Augusto Duarte, José Campina, Severino Tavares, José Solon, Anfrisio motorista, Manoel Alves da Costa (Neco Alves), D. Beleza, D. Nazaré Madruga e seu filho Vinicius Madruga Pereira, Luís Tomaz e Carmelita, Paulo Baltazar, todos, como numa procissão de relembranças restituem a minha infância e adolescência e tiveram o privilegio de terem vivido num universo diferente, mais limpo e mais nobre. Evoco, ainda, nas páginas do livro da saudade: Francisco Falcão Freire, Enock Garcia, José Maciel, Alcides Varela, Manoel Guedes da Fonseca Filho, Leonel Mesquita, Gutenberg Marinho de Carvalho, Geraldo Cavalcanti, Olimpio Maciel, Iolanda Lucena, Alice de Lima e Melo, José e João Muniz, Luís Curcio Marinho, Raimundo e Francisquinha Gomes, Lupiscinio Araújo, Lúcia Araújo (Pitôco), Constância Freire, Padre Chacon, Tota Pessoa e Cícero, seu irmão, Adelino Moreira (sacristão), Avelino Pinheiro, Isbelo Vieira, Ieda Mesquita, Cícero Almeida, José Almeida e tantos outros que poderia citar mas o espaço não me faculta. Os esquecidos hoje serão lembrados na próxima crônica das velhas figuras, pois todos ajudaram a fazer a verdadeira e autêntica Macaíba.

(*) Escritor


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