19/12/2014

SÁBADO - DIA 20

Convite:
Azymuth convida você para o lançamento do livro Temas Reunidos: O Recalque – Missão Penedo – A Constituição Federal de 1946, no seu primeiro aniversário  A Terra tem duas Luas  Saudando Dom Marcolino  Os Gêneros do Cinema  Augusto Leopoldo, Líder de Oposição  Benção de Paraninfo – Vicente de Lemos, o Fundador  Da Reincidência no Direito Penal Desportivo  Tentativa de Classificação das Ciências Biológicas Espaciais  Tavares de Lyra, Relíquia Nacional  Meu Pai  Saudando Dinarte Mariz  Antídio de Azevedo, Poeta e Trovador. Do autorANTÔNIO SOARES FILHO (1914-1996).

Publicado originalmente em 1978, com o título “Doze Temas” um livro polimático da cultura norte-rio-grandense. No ano em que comemoramos 100 anos de nascimento do autor, publicamos uma edição revista e ampliada. Conta com introdução de WANDYR VILLAR.
Valor do livro:
R$ 50,00. Parte das vendas ajudará o Hospital Infantil Varela Santiago
Local e data do lançamento:
Livraria NOBEL. Av: Salgado Filho, 1782 (em frente ao IFRN). Tel: (84) 3613-2007.
Dia 20 de Dezembro de 2014 (sábado) a partir das 17hs.
Contatos:
9420-8397 (claro).

18/12/2014

Roberto Cardoso



Homo natalensis

Roberto Cardoso
IHGRN/INRG

Introdução

Este seria um texto para ser escrito por Luis da Câmara Cascudo (1898-1986). Nascido em Natal em dezembro de 1898; encantou-se também em Natal, em julho de 1986. O Luis de Natal, o Cascudo ou o Cascudinho. Também chamado de Ludovico em seu batismo, por um membro da igreja, quem sabe uma visão futurista. A vida, a obra e a história de Cascudo lembra o professor Ludovico das histórias em quadrinhos, de Walt Disney (1901-1966 - EUA), no estilo professor que entende de todos os assuntos. Os personagens são inspirados em pessoas existentes, com certeza Disney conheceu um professor cascudo.
E ele, o Cascudo não escreveu este texto. Cascudo não escreveu porque tinha outros textos e outras ideias para escrever. Precisava escrever e descrever o homem natalense de sua época; ou o homem construído até aquela época. Para em um futuro, alguém pesquisar o homem natalense dos dias atuais, sua construção e sua formação.
O homem natalense vai continuamente se construindo, se destruindo e se reconstruindo. Resurgindo e renascendo, na cidade do renascimento. Natal de natalício e de nascimento. Vai se modificando, com invasões, com ocupações e com miscigenações que acontecem. E aconteceram em seu território ao longo de sua história. A partir do homem nativo, aquele que deixou registros históricos e arqueológicos, que foi sendo influenciado por participações nacionais e estrangeiras.
Estrangeiros que desembarcaram diretamente no território, do Rio Grande do Norte. E estrangeiros que chegaram influenciados ou modificados por terem primeiro desembarcado em outros países, antes de atravessar o Atlântico. Estrangeiros que desembarcaram em outros estados da federação, para então chegar ao território norte-rio-grandense.  O Brasil com um extenso litoral, sempre esteve aberto a novas ideias que chegaram embarcadas em barcos, caravelas e navios. Um transporte marítimo pode levar conhecimentos embarcados, seja por publicações impressas e mentes pensantes.
Hoje as informações em mentes, viajam em aviões com seus equipamentos periféricos: computadores, notebooks, netboks e outros mais, funcionando como uma extensão da mente pensante. Natal ficou como resultado de misturas de ventos e correntes marítimas; de povos com suas migrações e imigrações. Uma mistura de alimentos e alimentações; de ideias e inovações.

Parte I
Ainda que o homem tenha o poder de transformar o meio ambiente, o ser humano é o resultado do ambiente em que vive. Se derrubar uma arvore vai ter que aprender a conviver sem uma sombra, ou sem um abrigo para a chuva. Tudo depende da utilidade inicial da arvore e da utilidade que poderá ter em ser derrubada. A transformação do meio. O homem é um resultado dos seus atos, precisa se adaptar aos erros e acertos, de seus atos positivos ou negativos. O negativo pode não ser eterno, e o positivo pode ser temporário. O que é positivo para um pode ser negativo para outro e vice-versa.
Os atos e resultados são holísticos, interagem entre si. O homem é o resultado dos seus relacionamentos, das suas vivencias e convivências. Resultado daquilo que vive, com quem vive e convive; daquilo que come e consome; resultado do que não come e do que descarta. Resultado de seus alimentos e relacionamentos, que podem gerar boas e más relações, e com boas ou más digestões.
Consumir não é apenas um ato fisiológico e anatômico de ingestão, com mastigação e deglutição de produtos denominados e classificados de alimentos. Segundo a biologia, a anatomia e a fisiologia, os alimentos são ingeridos e processados. A visão do corpo como uma maquina. E deles, os alimentos, são extraídos as substancias necessárias para a sobrevivência do corpo físico e biológico. O que não é necessário a uma sobrevivência é descartado pelos sistemas de eliminação.
Mas consumimos muito mais que simples alimentos, sejam eles sólidos ou líquidos, necessários a uma sobrevivência celular. Consumimos de tudo que esta ao nosso redor. Desde o ar que respiramos a tudo que nos relacionamos. Consomem-se produtos orgânicos e inorgânicos, naturais e artificiais; vegetais, animais e minerais; elétricos e eletrônicos; produtos artesanais e industriais, produtos duráveis e não duráveis; perecíveis e não perecíveis. Gestos e indigestos. O ato de consumir denominado consumismo consome até bens móveis, imóveis e automóveis. Consomem-se técnicas, tecnologias e biologias, ideias e ideais. Consomem-se máquinas e ferramentas. Um vasto ferramental, com ferramentas de uso residencial, comercial e industrial; automobilístico, agrícola e administrativo. Ferramentas de controle e ferramentas de gestão. Consumir é absorver ideias. Uma autogestão de gerir e gerar comportamentos, para produzir conhecimentos.
E por fim consome-se o corpo, que se desgasta e se deteriora ao longo do tempo, com as intempéries dos tempos e dos relacionamentos. Deterioram-se as células ao longo dos tempos: com relacionamentos, alimentos e comportamentos. Ainda que o homem modifique o meio em que vive, o ser individualmente analisado pode sofrer mais e más influencias, do que ter um poder de modificação do espaço ao seu redor.
A geografia determina o momento de hoje e o que acontece hoje. A história é a descrição da geografia ao longo de uma linha de tempo. O ser humano é compreendido pela sua psicologia e pela sua sociologia. Analises ao longo de uma existência ou ao longo de uma história. À medida que o conhecimento evolui, podem ser geradas novas definições, com objetivos mais específicos de analisar um espaço e um momento. De uma tecnologia a uma nanotecnologia, de uma biologia a uma microbiologia. De uma botica doméstica com usos de produtos naturais a uma farmacologia industrial.
A cidade como uma organização geográfica do ser humano também é influenciada pelas ocupações, e desocupações; imigrações e emigrações ao longo de sua história. Uma cidade ainda pode alterar sua história por epidemias e infestações. Uma ocupação de um espaço por micro-organismos. A história construída por uma cidade sofre influencias do visível e do invisível, do concreto e do abstrato, do perceptível e do imperceptível. Influencias de histórias contadas e não contadas, escritas ao longo do tempo e esquecidas ao longo do tempo. Uma história contada e registrada, reconhecida e divulgada, admitida e ensinada provoca mais influencias em uma cidade, nos seres que ocupam o espaço de uma cidade.
A linha do tempo pode definir uma ocupação de um espaço, por descobridores, por colonizadores e por invasores; imigrantes, investidores ou turistas. Cada momento de um tempo um grupo ocupa o espaço geográfico e social da cidade de Natal. Grupos e pessoas constroem, destroem e reconstroem a história de Natal. Ao longo do tempo vão modificando a evolução e a construção do Homo natalensis.

Parte II
E se o ser é o resultado dos seus relacionamentos e comportamentos. A cidade como uma organização social, política e arquitetônica, do ser humano, construída pelos homens com objetivos de abrigar e servir aos homens, também é o resultado de seus relacionamentos e seus comportamentos, gerados no espaço ocupado. E influenciados pelo que acontece a sua volta. Os espaços urbanos são ocupados, e permanentemente são reocupados com obras de modificações e transformações.
A arquitetura é o resultado de conhecimentos e influencias culturais. Uma cidade é constituída por pessoas, com os resultados de seus comportamentos e conhecimentos. Das relações que seus habitantes praticam e participam. Habitantes e viajantes deixam as marcas de suas histórias por onde vivem e passam.
Em um momento da história o homem deixava seu abrigo para sair em busca de caçar, e colher frutos, raízes e sementes, para alimentações e indisposições. Continua saindo em busca de alimentos e suplementos. Encontra o que é necessário em comércios especializados da selva de pedra. Sai em busca de alimentos: carnes frescas e congeladas; polpas e frutas, frescas, secas ou industrializadas; raízes descascadas, cortadas e congeladas. Sai em busca de ervas sintetizadas apresentadas em capsulas e comprimidos.
Ao longo de sua história o homem adquiriu novas necessidades para suprir anseios e desejos. Necessita de alimentos para a alma, o corpo e a mente. Hoje ainda pode sair para buscar o conhecimento. Quem parte levando ideias volta trazendo novas ideias. Templos religiosos e templos de culto ao corpo dividem os espaços urbanos, com templos voltados a saúde e templos de conhecimentos. Templos religiosos orientavam não cultuar santos e imagens. As imagens deixaram de ser santas para serem corpos esculturais e sarados, filmes e fotografias. Pessoas em perfis de redes sociais projetam suas imagens, para quem quiser adorar: curtir, compartilhar ou seguir.
Uma cidade se relaciona com outras cidades. Cidades próximas, cidades visinhas e cidades distantes. Ao longo da história de uma cidade, conceitos, hábitos e costumes, vão se adicionando, mesclando com os existentes e herdados anteriormente. Pessoas, animais e carroças um dia ali passaram em um espaço geográfico. Abriram caminhos que se tornaram estradas. Caminhantes e viajantes apearam, de carroças, jegues e cavalos. Sentaram em volta de uma fogueira, contaram estórias que se tornaram lendas.
Agora pessoas, carros e cargas entram e saem diariamente das cidades. Barcos e navios, helicópteros e aviões cruzam os mares e os ares. Comboios, trens e ônibus cruzam atravessando as terras. Pessoas que levam na mente histórias contadas por seus avós. Influenciadas em suas vidas por contos e histórias ouvidas em casas e nas escolas.
Ao longo da história pode haver descobrimentos, fundações, invasões, expulsões; ocupações e reocupações. As passagens e instalações de outros povos com outras línguas e outras culturas; de forma pacifica ou belicosa. A cidade de Natal sofreu influencias ao longo da história, que estão gravados em sua memória. A história no inconsciente coletivo. História e histórias construídas com a sua própria geografia, construída ao longo de sua história. A geografia de hoje, torna-se história no amanhã. Influencias consumistas desembarcadas por estrangeiros, ao longo do tempo em função da sua posição geográfica e estratégica.
Chegamos a uma sociedade com conhecimentos separados uns dos outros. Uma separação que nos impede de religar conhecimentos, para conceber os problemas fundamentais e globais, tanto os das nossas vidas pessoais, como os dos nossos destinos coletivos: "La Voie" (A Via), do pensador francês Edgar Morin, por Roseli Gonçalves, em transito para Frankfurt.

Parte III
É comum dizer que o RN é a esquina do território brasileiro, ou a esquina do continente sul-americano. E por vezes, em falas e conversas de populares; em discursos políticos, comerciais e empresariais, até se prevalecer e enaltecer de estar localizado em uma esquina logística e territorial. A capital norte-rio-grandense esta localizada á margem do oceano, com uma responsabilidade política, administrativa e comercial com o estado, do qual sedia uma governadoria.
Mas o fato ou o ato de estar em uma esquina, gera algumas interpretações, visões e observações. A visão de quem está em uma esquina e vê quem passa. Como alguém parado em uma esquina obervando os carros e as pessoas que passam. Alguém que possa estar parado aguardando o momento de atravessar. A visão de quem passa e vê alguém parado na esquina. O RN pode ser uma esquina do continente em relação ao mar, e as rotas de navios que passam por esta esquina marítima. Enquanto quem está em terra pode ver navios passar, e a partir dos navios, alguém pode ver quem está em terra, na esquina, parado e observando navios passarem.
Uma esquina para navios e aviões tomarem um fôlego antes de atravessar o oceano, tal como alguém esperar o momento de atravessar. E nesta mesma esquina podem na volta atracar e pousar, para ali descansar de uma travessia sobre o mar. Um lugar de arribação, tal como as aves migratórias se alocam em um ninhal, para reproduzir e reprocriar. Depois continuam suas rotas migratórias para outros lugares, até que estações e situações sazonais e anuais retornem, quando novas e antigas gerações poderão ali retornar. Assim como os pássaros, o homem é um animal nômade, e precisa voar, para buscar novas paragens e paisagens, novas ideias e adquirir novos conhecimentos.
Esquinas podem ter a visão de quem dobra uma rua ao trafegar, ou de quem para na esquina para olhar. A visão de quem esta na calçada e a visão dos que vão com seus veículos pelas vias de rolamento. No caso do RN os veículos que passam pela esquina podem ser os navios. Veículos de transportes náuticos e marítimos. Olhando para o alto, verá pássaros e aviões.
O natalense é um ser que se encontra ocupando a terra. O espaço da capital de um estado na esquina do continente. Tanto o espaço geográfico natalense quanto o espaço territorial norte-rio-grandense, são espaços estáticos. Espaços estáticos diante do mar ao ver navios navegarem.
Aquele ser que para em uma esquina continental, diante do mar só tem a observar os navios que passam em direções diferentes. Navegam de Norte para Sul ou de Leste para o Oeste; do Sul para o Norte ou do Leste para o Oeste; e outras combinações entre origens e destinos. Quem para em uma esquina de uma rua, pode parar esperando um momento para atravessar. Na esquina do continente esta Natal, que não poderia atravessar o mar, ficou esperando os momentos que alguém poderia chegar e desembarcar. 
Ainda hoje a navegação de cabotagem faz linha entre o lado leste do território brasileiro para ligar o lado norte brasileiro. Navios atracam e desatracam nos portos de Recife e João Pessoa para depois seguir para os portos de São Luis e Belém, deixando Natal a ver navios. Os custos de atracação e desatracação de navios são altos, demandam um grande tempo despendido em manobras náuticas e precisam compensar movimentos de carga e descarga para um navio ter a intenção de abicar.
Ao longo da historia Natal não tem demonstrado ser um porto de interesse comercial. Mas um ponto estratégico de interesse internacional.

Parte IV
Ventos e correntes marítimas influenciaram momentos históricos, no período conhecido como das grandes navegações ou dos grandes descobrimentos. Os pontos de vista dos que navegaram, e dos que descobriram e ocuparam as novas terras. Um ponto de vista para os que foram descobertos, porque foi assim que se aprendeu nos livros e na escola, a história que foi escrita, lida e contada. Aprendida por professores e repassada aos alunos, que um dia se tornaram novos professores. Com aprendizado e repetição acabamos por incorporar uma educação. Matérias explanadas em sala de aula e cobradas nas provas de avaliação. Com aprendizado e repetição aprendemos uma lição, e incorporamos culturas e comportamentos. Natal como esquina do continente esta apta e aberta a incorporar novos conhecimentos, novas culturas e novos comportamentos. Natal está de frente para o mar, estabelecendo um ponto no extremo do continente. A menor distancia entre dois pontos é uma reta, sendo Natal umas das menores distancias entre a Europa e Brasil, como também uma menor distancia para o continente africano. Daí ser um ponto estratégico, depois da Primeira Guerra e durante a Segunda Guerra. E continua sendo um ponto logístico e estratégico.
Logo após a Primeira Grande Guerra, Natal viu os primeiros aviões chegarem ao continente. Pierre Latécoère teve a ideia de utilizar os aviões militares utilizados na guerra, no período pós-guerra. Implantou um serviço de correio aéreo (Aeropostale), entre a Europa e América do Sul (Zé Perry – JH em 19/05/14). Natal serviu com ponto de primeira escala continental, depois da travessia entre a África e a América do Sul.
Natal foi a primeira cidade brasileira a mascar chiclete e tomar refrigerante do tipo cola. Uma clássica influencia da presença americana no período da Segunda Guerra. O natalense colocou em pratica o exercer do sabor, experimentou mastigar e beber, com saberes e sabores.
Seu comportamento social também foi influenciado nas noites de festa, o que era para ser uma festa aberta e para todos (for all) se tornou um forró. Durante o dia com iluminação intensa aprendeu a utilizar óculos escuros por influencia dos óculos modelo Ray-ban utilizados pelos pilotos que pousavam em Parnamirim Feeld. O campo de pouso que um dia deu nome a um filho da terra, nascido em Macaíba, cidade vizinha. E Parnamirim, também vizinha a Natal abriu sua sala de embarque para que natalenses pudessem embarcar em um avião comercial e conhecer outras paragens. Augusto Severo (1864-1902), que um dia foi homenageado no antigo aeroporto e na Praça em Natal que leva seu nome, pela passagem de um dirigível (1930 e 1933 – Graf Zeppelin). Hoje o aeroporto esta localizado em São Gonçalo do Amarante por necessidades políticas e históricas, estratégicas e logísticas. O aeroporto esqueceu o nome de seu filho da terra que foi um pioneiro na aviação, um dos primeiros cidadãos no mundo a voar, para dar nome a um político. Por interesses políticos arcaicos de um coronelismo que ainda tenta imperar. Assim vai se perdendo uma historia e uma memória. Um Alzheimer urbano vai se instalando. Novos comportamentos que mudam os rumos da história.
Uma lembrança dos tempos de montaria ainda existe nas ruas, motoristas e motociclistas insistem em estacionar junto a portas, passagens, muros e paredes como se estivessem amarrando burros, jegues e jumentos, próximos aos locais onde vai fazer compras ou resolver problemas que classificam como urgentes. Justificando ser uma breve parada, incomodando o transito de pedestres e os acessos ao comércio e as calçadas. Todo ato tem uma justificativa sociológica ou psicológica nas entranhas da mente ou da sociedade.
Pouco se sabe sobre a história dos primeiros ocupantes da terra. É preciso se embrenhar em arquivos e estudos arqueológicos, para descobrir o seu conhecimento, seus hábitos e costumes que formaram um conhecimento. Descobrir seus hábitos e costumes que estão inclusos no nosso comportamento atual, símbolos de formação da cultura brasileira. 

Parte V
O natalense tem alguns comportamentos e hábitos dos indígenas. Hábitos e comportamentos que vão se perdendo na história e na memória: como o habito ou ato de comer ginga com tapioca na beira da praia, tomando uma água de coco. Poucas pessoas fora da área urbana da Grande Natal conhecem o peixe chamado de ginga. Ginga é um pequeno peixe de água salgada que pode lembrar uma pequena sardinha ou uma manjubinha. O Homo natalensis pode até se ofender com a comparação, e dizer que não existe peixe igual a suas gingas. Em uma breve pesquisa na internet podemos descobrir que é um peixe sem valor comercial, descartado daqueles que tem mais valor para chegar ao mercado. A clássica disputa entre e Canguleiros e Xarias.
O hábito de comer ginga na beira da praia, ainda vem sendo preservado na praia da Redinha, onde ainda existem muitos barcos e pescadores. Em um mercado publico com boxes, ainda e possível obter e apreciar a iguaria. E a praia da Redinha fica em oposição ao aldeamento das Rocas. Tal como a oposição entre a Zona Norte, separada pelo rio Potengi, e por uma ponte, onde do outro lado, a cidade comporta: Centro, Zona Sul, Zona Leste e Zona Oeste. O lado entendido como a cidade de Natal. A cidade de Natal no linguajar popular divide-se em dois lados; a cidade e a Zona Norte.  
Hábitos de comer ginga com tapioca à beira da praia que podiam acontecer depois de uma pescaria, ou mesmo antes de uma pescaria. Forrando o bucho antes da lida. Hábito e costume que vai se transformado em comer tapioca em uma tapiocaria de shopping, depois das compras, depois de caçar e pescar mercadorias e ofertas. Enquanto índios e antigos pescadores podiam voltar com puçás e samburás cheios de pescado, o homem urbano volta com sacos e sacolas de compras. Uma boa compra ou boa pescaria; deve ser comemorada na praia próximo a arrebentação ou na praça de alimentação.
Um estudo arqueológico poderia descobrir que um dia os indígenas ocuparam as praias onde ainda hoje são protegidas por formações rochosas, permitindo um banho de mar e a coleta de pequenos peixes que podiam, e ainda podem ficar aprisionados a partir da baixa mar. Como as praias junto ao Forte e a praia de Camurupim (Nísia Floresta), que segundo alguns escritos, na linguagem indígena, a água fechada. Os sambaquis devem ter sido destruídos pelas construções de ferro e cimento. Enquanto os índios produziam sambaquis, o homem urbano produz metralhas.
Uma tapiocaria oferece tapioca com uma infinidade de ingredientes a serem acrescentados ou adicionados. De tapiocas lambuzadas com manteiga de garrafa à outras recheadas com nobres queijos e frios defumados; da tapioca simples à tapiocas recheadas com pastas e cremes, doces ou salgados. Quiche de ginga com jiló (JH em 06/12/12).
Com as gingas dos barcos balançando para lá e para cá; e com as gingas do povo criando alternativas e inovações, os cardápios vão variando com as influencias locais e as influências internacionais. Um dia o barco que ginga, pode adernar demais e entrar água. Um dia o natalense que ginga, pode se influenciar demais e tender a uma variedade econômica ou gastronômica. O bolso e o estomago vão gingando de acordo com a maré.
E raras tapiocarias hoje poderão oferecer ginga. Oferecem tapiocas podendo ser incrementadas com catchup Heins e mostarda Dijon em saches; molhos e maioneses com sabores, acompanhado de refrigerante de cola, ou um suco em caixinha. Trocar a tapioca pelo crepe, panqueca, ou pela pizza; pelo pão de hambúrguer, árabe ou sírio, mantendo alguns ingredientes do recheio ou cobertura torna-se um ato simples.

Parte VI
A cultura é plantada e implantada na terra pelo povo, que cultiva hábitos e costumes, individuais e coletivos. Um povo que nasce e cresce, vivendo e vivenciando falas e cantos, fatos e atos, gestos e danças, sobre uma mesma região. Povos de nações e continentes diferentes chegaram ao território brasileiro, trouxeram sua cultura e deixaram filhos como herdeiros de suas antigas e novas culturas.
Em solo natalense o dia da consciência negra vem despertando outras consciências, de Zumbi a Poty. A consciência da formação cultural brasileira. A consciência das nações que formaram a cultura brasileira: portugueses, palmares e potiguares. 
Com pés e pês, pisando e dançando descalços no chão, um tripé embasado pelas culturas vindas da África e da Europa, e pelo índio nativo que já habitava o território antes do descobrimento. E ainda por outros povos que aqui desembarcaram, mais tarde ou mais cedo, historiados ou não. A força da influencia dos descobridores foi tanta que até o habitante primitivo recebeu nomes estrangeiros, foram chamados de indígenas. Por os portugueses acharem que haviam chegado na região das Índias, onde pretendiam chegar.
Características históricas ficaram na memória. Os políticos locais, legítimos e legitimados representantes do povo, exercem seus mandatos em modelos holandeses, os Mauricinhos de Natal tentando serem as Águias de Haia. Representando o povo em modelo burguês: com gabinetes computadorizados, bem aparentados, bem afeiçoados, e bem motorizados, e muito bem assessorados, se batem e debatem. Gritam e rebatem em câmaras e tribunas da casa do povo. Enquanto discutem em assembleias ordinárias e extraordinárias, um impasse, se o dia da consciência negra deve ser decretado feriado ou não, o povo exerce seu papel de cidadão. O povo manifesta nas ruas sua memória cultural, representando os povos menos favorecidos, negros e índios diante aos prestigiados eleitos para cargos públicos de representação do povo.
Brigas e intrigas são teatralizadas, com fantasias e fantasmas, pelas ruas e praças, e até na universidade (UFRN). O povo não questiona ou discute a propriedade do dia da consciência negra ser ou não ser feriado. Mas entende que deve ser comemorado, para ser sempre lembrado. O dia é apenas mais uma razão para expor uma cultura, resgatada ou perpetuada por gerações. Uma cultura inserida em suas mentes que provoca comportamentos em seu dia a dia.
Diversas manifestações culturais preservadas, ainda podem ser encontradas pelas redondezas de Natal/RN. E vem cabendo a poucos professores e pesquisadores da chamada academia do conhecimento, reunir e resgatar o conhecimento cultural que está nas ruas, O que não está escrito nos livros, está inscrito nas mentes que preservam a cultura e o conhecimento que surge do povo. A oportunidade de filmar e preservar, eternizar um conhecimento com tecnologia, fazer o uso das TICs.
A capoeira que possivelmente seria uma luta disfarçada em danças e acrobacias. Sem armas, os negros escravos precisavam de uma luta de defesa pessoal e corporal em fugas e capturas. Em meio a cantos e danças puderam disfarçar um treino quando senhores e feitores entravam nas instalações escravas.
O maracatu deu mais criatividade aos cantos e danças evocando e invocando, misturando culturas. Deuses africanos disfarçados de santos da igreja. Reis e rainhas da corte portuguesa ou dos reinos africanos. Provocou um ritmo e surgiu de uma miscigenação entre as culturas: africana, indígena e portuguesa. Um ritmo forte que contagia que estão presentes nas apresentações. Um ritmo nato surgido em terras brasileiras com as misturas raciais e culturais, de etnias e cidadanias.

Parte VII
Movimentos atmosféricos e marítimos Influenciaram o rumo das caravelas, proporcionando um descobrimento, uma ocupação da terra ainda não ocupada pelos europeus, uma descoberta legitimada pela Igreja. Na tentativa de descobrir um caminho marítimo para as Índias acabaram por chegar a outras terras. Ventos e correntes marítimas levaram os índios a encontrar a esquadra portuguesa à deriva, próximo á praia. Uma questão de ponto de vista, que índios não puderam comprovar, já que não relataram em seus diários de vigília e segurança nas praias. O habitante nativo não dominava uma escrita, apenas um idioma restrito. Ao contrario da frota que produziu documentos escritos, que se tornaram oficiais.
E um momento histórico foi denominado de descobrimento do Brasil (22/04/1500). A história é contada a partir de pontos de vista; ou Cabral descobriu o Brasil ou os índios encontraram caravelas à deriva. Prevaleceu na historia a Carta de Pero Vaz de Caminha, como documento escrito e oficialmente reconhecido do acontecimento. Os europeus dominavam a escrita e a ciência, enquanto os índios dominavam uma linguagem e um sincretismo. O ponto de vista dos nativos não ficou registrado.
Baleias que encalham no litoral norte-rio-grandense são claros exemplos que caravelas podem ter chegado à praia em momentos de calmaria e de deriva; correntes marítimas ou excesso de ventos. Ainda que biólogos apresentem teses de suicídios coletivos ou falhas fisiológicas que afetam seus sensos de direção em meio a um trajeto de imigração. Uma hipótese para este fato poderia ser o grande numero de embarcações com sonar, que poderiam influenciar o sonar fisiológico e orgânico dos cetáceos. Do contrário elas podem entrar em correntes marítimas, perder o senso de direção e encalhar.
Sem um GPS, apenas com astrolábios e navegação por observação pelas estrelas seria muito difícil chegar a um lugar exato, pré-definido. As chegadas e os desembarques foram aleatórios, variaram de acordo com ventos e correntes marítimas, buscou-se chegar a locais aproximados dos desejados, se é que estavam pré-determinados. Fica aqui outra hipótese: de lembranças gravadas nas suas células (DNA) quando seus antepassados longínquos pudessem ter desembarcado em terras brasileiras. A biologia reconhece os registros de DNA, enquanto a psicologia reconhece os arquétipos, cada ramo da ciência pode admitir heranças genéticas ou comportamentais, inscrita no cérebro ou nas células.
Em 1500 Cabral desembarcou Porto Seguro na atual Bahia, implantou uma cruz e realizou uma missa. Em 1501 André Gonçalves desembarcou próximo a Touros no atual RN e implantou um marco. Em 1928 Carlo Del Prete, aviador e militar italiano realizou o primeiro voo direto, sem escalas, para o Brasil, chegando a Touros no RN. Há registros da presença fenícia, e registros pré-históricos no território brasileiro, inclusive em território norte-rio-grandense.
Momentos e objetivos diferentes, ações diferenciadas. Portugueses implantaram uma cruz como marco de ocupação e religiosidade. Portugueses construíram um forte com objetivos de defesa na foz do Rio Potengi. Com atos de ocupação e destruição, os holandeses ocuparam o forte e promoveram um massacre em Cunhaú.
Os hábitos e os atos se repetem. Uma instituição educacional vinda de Recife gira a cidade de Natal em busca de outras instituições, com certa dificuldade em se manter no mercado, para tentar finalizar sua presença mercadológica e ocupar suas instalações, arrebanhando seus alunos. O mesmo comportamento dos antigos holandeses, que procuravam locais desguarnecidos de segurança para invadir e ocupar. Enquanto o produto de maior valor era a cana de açúcar, na época da invasão holandesa, hoje o produto de valor é o conhecimento, e uma nova invasão holandesa vem acontecendo. Portugueses e holandeses continuam uma batalha na Avenida Roberto Freire. Lembranças de arquétipos gravados em DNA.

Parte VIII (com uma visão de gaslighting)
Na história consta que o Brasil foi descoberto, a visão dos que se consideraram descobridores, praticando um encobrimento daqueles que aqui foram encontrados, dos seus hábitos e de sua cultura. E seus habitantes nativos, verdadeiros donos da terra, foram catequizados. Pois não reconheciam como religião o catolicismo. Tinham seus próprios deuses, e adoravam deuses ligados e relacionados a fenômenos naturais e astros celestes, já explicados pela ciência: estes não eram deuses, e não influenciava o novo conhecimento, a ciência.
Para ofertar o reino dos céus, missões jesuíticas chegaram ao novo território, para catequizar os nativos. Passado o processo de catequização veio o processo de colonização, primeiro por Portugal e Espanha, depois por Inglaterra, França e Holanda. O Brasil foi alvo de exploradores, já que havia algo interessante para explorar.
O Brasil foi colonizado e explorado de seus recursos naturais em prol de Coroas europeias, que em seu entendimento, sabiam melhor usar e explorar os recursos minerais e vegetais, em seus empreendimentos. Necessitavam de ouro e prata para confeccionar suas coroas, moedas, e talheres; com pedras preciosas as suas joias. Com madeiras podiam construir embarcações. “O traje majestático de D. Pedro II, com murça confeccionada com penas de papo de tucano, e o manto bordado a ouro...” (fonte: Museu Imperial de Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro).
De bons fornecedores e produtores, passamos a bons consumidores, quando matérias primas são exportadas voltando importados, como produtos beneficiados (produtos secundários). Fatos que aconteceram com produtos agrícolas e minerais, os produtos primários.
Outros países e outros povos foram originados dos reinos da Europa, criando novos interesses e novos interessados no Brasil. E o Brasil continua sendo explorado, agora como alvo de empresas, não mais com seus recursos primários ou secundários. Mas com recursos chamados terciários, onde estão incluídos os serviços, como serviços bancários e seguros; programas e aplicativos para computadores e comunicações. Consomem-se ideias e negócios, algo imaterial, que não se pode plantar e nem produzir em campos agrícolas ou fabricas. É uma produção intelectual e imaterial, a partir daqueles antigos e novos países. Mas campos agrícolas e fabricas, podem ser consumidores deste novo produto, dos implementos agrícolas conectados à satélites, à fabricas computadorizadas e robotizadas.
Das ultimais ideias internacionais surgem as startups, com tecnologia e empreendedorismo. Ideias de que dão respostas rápidas, resultados rápidos, podendo acompanhar seu crescimento e evolução, com ajustes para que seus objetivos sejam alcançados, inovando e melhorando. E mais um sistema de controle é implantado. E ideias enlouquecedoras vêm sendo implantadas, algo que pode ser muito mais rápido de acontecer que a própria imaginação.
O RN a esquina do continente vem ao longo da história sendo um ponto estratégico para estrangeiros chegarem e usufruírem de alguma maneira como um ponto geográfico de interesse. Natal serviu de escala marítima importante quando não havia o canal do Panamá. Depois da Primeira Guerra, Natal serviu de escala aérea quando os aviões ainda tinham pouca autonomia. Serviu de trampolim para uma vitória na Segunda Guerra, A região ainda hoje serve como ponto de lançamento de foguetes experimentais. Uma base de lançamento de foguetes pode tornar-se facilmente uma base de mísseis. Basta haver um interesse de algo, ou um alvo a proteger. E o Brasil vive em função de hora ser algo e hora ser alvo.
O número de construções imobiliárias por empreendimentos estrangeiros demonstra que ainda existe um grande interesse em Natal/RN. Uma novela foi filmada na região, e Natal como cidade sede da Copa do Mundo, colocou a cidade e a região em evidencia para países estrangeiros. Um novo aeroporto e um novo estádio, agora chamado de arena, criam uma acessibilidade ao modelo de exigência de imigrantes. VLTs e BRTs, modelos importados, vão facilitar a mobilidade dos transportes de massa, com acessibilidade urbana e climática. Trens e metros, BRTs e VLTs em outros estados já utilizam linguagem internacional anunciando a próxima estação (next stop). Uma komunikologia é utilizada em vagões e estações, terminais e linhas alimentadoras.
A Grande Natal ou Região Metropolitana de Natal, já sinaliza a implantação de VLTs e BRTs, e vem implantando estações de transferência climatizadas. E um bullying de analises urbanas aponta brutais diferenças, entre outras cidades e capitais. Coloca o estado e a cidade em posições muito baixas no ranking da qualidade de vida.
O ponto geográfico é importante; a cidade é interessante; o clima e as praias são agradáveis; mas a estrutura que a cidade oferece não é satisfatória, uma visão de gaslighting. E a cidade vai enlouquecendo na tentativa de criar modelos de atendimento aos novos imigrantes. Metas utópicas, modelos de perfeição que nunca são alcançados; haverá sempre algo mais a fazer. Nunca se chega a uma perfeição, para atender aos principais clientes: os descobridores, os colonizadores, os imigrantes.
O navegadores que chegaram em caravelas, agora chegam em aviões, da navegação marítima á navegação aérea com tripulação no comando da travessia. E uma nova tripulação se prepara. Next stop Estação Lunar.

Parte IX
(a visão antes de uma virada digital)
E o Brasil foi descoberto por navegadores portugueses. No domínio da ciência; da engenharia, da medicina e do direito, é tal como o jogo de bicho: “Vale o que está escrito”. Está escrito e descrito na história, com cartas e documentos. O fato que aconteceu alguns anos depois de Colombo e seus marinheiros, descobrirem a América. Por forças das circunstancias ficamos na parte sul da América, a parte de baixo (convencionalmente), prevalecendo nominalmente a descoberta de Colombo que descobriu primeiro as terras. Quem chega primeiro domina o jogo. Como os navegadores eram do sexo masculino, davam nomes femininos nas terras descobertas. Da mesma forma acontece no texto bíblico, o homem é o desbravador e o descobridor, quem está conectado com o Criador. E Adão chegou primeiro, como Caim saiu primeiro, para chegar primeiro em algum lugar. Noé foi o primeiro navegador.
Era assim que funcionava o mundo dividido entre Portugal e Espanha. Uma disputa de descobertas, de caminhos e de terras, em nome de reis católicos. Quem supostamente chegasse às índias ganharia o suposto jogo. Mas chegaram a novos lugares, criando novos rumos na história. Lugares para ocupar, povoar, explorar e defender. O Brasil foi descoberto antes do marco da virada industrial, a virada econômica e mudanças no pensamento. Pontos marcados pela Revolução Industrial e a Revolução Francesa que aconteceriam na Europa, espalhando-se pelo mundo. E outros pontos podem ser atribuídos ou diminuídos, das visões orientais e visões ocidentais.
Antes e depois. O mundo parece ter sido sempre dividido em dois. Entre dias e noites, quentes e frias. Invernos e verões, com Sol ou sem sol, dias de sol e dias de chuva. America do Norte e America do Sul. No Brasil um rio grande no Norte e um rio grande no Sul, RN e RS. Como dito anteriormente, Natal é dividido comumente em dois lados, o lado da cidade e o lado da Zona Norte. E no lado da cidade, um dos lados é chamado de zona Sul. Pontes de concreto dividem e separam uma situação abstrata. Enquanto que o estado do RN é dividido popularmente entre Natal e interior.
Descobertos e descobridores. Funcionava naquele momento do descobrimento um padrão admitido pelas duas partes conquistadoras, como um acordo de cavalheiros: navegar e descobrir; desembarcar e ocupar, escravizar e explorar. E talvez ainda funcione por um bom tempo, entre aqueles que dominam e aqueles que são dominados. Norte e Sul, Leste e Oeste. Desenvolvidos e subdesenvolvidos. Portugal e Espanha, EUA e URSS. Partido de direita, e partido de esquerda, posição e oposição; inimigos e aliados. Duvidas sobre os destinos acontecem entre o céu e a terra.
As incertezas de hoje não permitem uma previsão, de novas divisões, e separações, as duas partes ainda não estão bem definidas. Mas já foi definida anteriormente, em outros momentos históricos. Definida na época dos descobrimentos, e nas épocas de Guerras Mundiais, quando foram envolvidos países orientais e ocidentais, do hemisfério Norte e do hemisfério Sul. Com tropas aliadas e tropas inimigas, disputando em uma linha de tiro.
O crepúsculo e o amanhecer se confundem na noite e no dia, ainda é preciso que as coisas tomem forma, e definam-se os lados.  No princípio era o caos, e Deus criou o céu e a terra; a terra era sem forma e vazia; era preciso que houvesse luz (Genesis), para separar as terras das águas e os dias das noites. Era preciso dividir em duas partes no tempo (dia e noite) e no espaço (terras e mares). Deus observou o antes e o depois, e viu que era bom. Ai foi possível dar nomes as terras e aos oceanos.
Algo que é único, unitário, primeiro divide-se em duas partes, divide-se em dois para depois chegarem outros que almejaram uma das partes que coube a um dos lados, podendo brigar com atitudes bélicas por novas participações e ocupações; ou pacificamente e amigavelmente desfrutar de uma participação. No início era o caos. Deus separou as águas das terras, definiu o dia e a noite; para depois o homem definir as horas, e os hemisférios, latitudes e longitudes. Depois vieram os minutos e os segundos referentes as horas e posicionamentos geográficos. Passo a passo as coisas se repetem com o homem, repetindo tudo o que Deus fez. Separando e dividindo, como uma visão cartesiana a partir de Descartes com uma cruz, definindo no gráfico, lados positivos e negativos, acima e abaixo, a direita e a esquerda da origem.
E assim relata a história que foi escrita pelos descobridores. Do ponto de vista de nascimento ou descobrimento. Brasil e América foram descobertos ou nasceram em uma mesma época. As influencias da dominação e da colonização é que tiveram maior importância para uma maturidade de um novo país. Talvez tenha sido mais fácil fazer viagens entre Europa e America, do que Entre Europa e Brasil. As viagens entre Europa e America ocorriam (ocorrem) no mesmo hemisfério, ao passo que viagens entre Europa e Brasil é necessário mudar de hemisfério, encontrando dificuldades de orientação e navegação, com ventos e correntes marítima diferentes. Os hemisférios têm circulação e predominâncias de ventos diferentes, tal como as correntes marítimas. Navegadores devem ter avistado no céu uma cruz (Cruzeiro do Sul) e seguiram um sinal no céu.
E do ponto de vista do que acontece hoje ficamos como tal um filho caçula da Europa, um filho que merece cuidado e deve obedecer a ordens. Ficamos classificados como o mundo subdesenvolvido diante o mundo desenvolvido, o terceiro mundo diante do primeiro mundo. A eterna posição do país em desenvolvimento.
A Europa que se considerava única tinha o mar como algo medonho e perigoso, um caos indecifrável. Dividiram o mundo por uma linha imaginaria e distante da Europa. Dividiram o mundo entre Portugal e Espanha. E um Novo Mundo foi descoberto a partir de disputas oceânicas, com navegações e ocupações. Inicialmente uma disputa não bélica entre duas partes, Portugal e Espanha. Para depois chegar França, Holanda e Inglaterra, disputando e participando do que foi descoberto. Influenciaram e incentivaram portugueses e espanhóis para adentrar em mares nunca navegados. Os novos países criaram novos navegadores: divididos entre piratas e corsários, com objetivos de pilhagens e saques. Navegavam em nome de grupos constituídos e reconhecidos, em nome de grupos não constituídos e não reconhecidos, com as mesmas atitudes bélicas e de pirataria.

Final

A construção do Homo natalensis não termina aqui. A cada manhã surge um novo homem em Natal, com novas ideias e novas perspectivas de mudanças. A cada dia novas pessoas chegam e saem à cidade, trazendo e levando, deixando e retirando ideias que provocam mudanças nos acontecimentos; mudanças culturais e comportamentais. A cada instante chegam novas mensagens pelos aparelhos de comunicação informando acontecimentos na casa do outro lado da rua, ou do outro lado do mundo.
Natal é uma cidade de ventos e ideias inconstantes, com iluminações variáveis no decorrer do dia, e no vai e vem das nuvens. Assim como ventos e correntes marítimas mudaram os rumos das caravelas, novos ventos e novas correntes vão mudando os rumos da informação e do conhecimento, daqueles que estão assentados na esquina de um continente, na cidade que lembra o renascimento, o resurgimento de pessoas e de ideias, a cidade de natal.

Entre Natal/RN e Parnamirim/RN 14-12-14

Roberto Cardoso
Desenvolvedor de Komunikologia
Sócio Efetivo do
IHGRN – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e
INRG – Instituto Norte-Rio-Grandense de Genealogia.