quarta-feira, 25 de novembro de 2015


Antônio de Barros Passos, Diretor dos Índios 

da Vila de Extremoz


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG

Pelo Facebook, Manoel de Freitas Filho me interpela querendo saber quem eram os avós de Anna Joaquina de Barros, que foi casada com o alferes José Rebouças de Oliveira. Dizia que ela era filha de Antonio de Barros Passos e de Ana de Lima Abreu.

Fui até as imagens que tinha fotografado na Cúria Metropolitana e no IHGRN. Fiquei confuso, pois, encontrei dois Antonio Passos Barros, e algumas imagens de difícil leitura. Precisei ordenar minhas informações, para evitar informações contraditórias. É importante salientar que até os documentos primários dão informações equivocadas, não sendo garantia total da verdade. Mas vamos ver as informações que reuni.

Em primeiro lugar, vejamos o batismo que encontrei no projeto Ultramar, Antônio de Barros Passos Junior  conforme uma certidão de Antônio Jácome Bezerra, Vigário Colado na Paroquial Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, da Vila do Recife de Pernambuco: Certifico que vendo os livros dos assentos dos batizados desta Freguesia, no livro primeiro, as folhas cento e oitenta da parte de Santo Antonio, achei o assento de teor seguinte: Aos trinta e um de abril de mil setecentos  e trinta e três, batizou, de minha licença, o Reverendo Padre Felipe Ribeiro de Brito, nesta Igreja do Santo São Pedro a Antonio, filho de Antonio de Barros Passos, e de sua mulher Ana de Lima (de Abreu), moradores nesta Freguesia, e lhe pôs os Santos Óleos, e foram padrinhos Domingos de Barros, morador na Freguesia de São Lourenço e Josefa Maria, filha de Mathias (?) Luis de Brito, morador nesta Freguesia. Felis Machado Ferreira, Padre Felippe Ribeiro de Brito, e não continha mais o dito assento, a que me reporto, e afirmo em fé de Pároco, do que mandei passar a presente em que me assino. Recife, 27 de setembro de 1803. O Vigário Antonio Jácome Bezerra.

Tanto pai como filho, ambos militares, vieram de Pernambuco para o Rio Grande do Norte, na mesma data: o pai era sargento e veio para Diretor dos Índios da Vila de Extremoz, o filho era soldado e veio como Mestre de Escola dos Índios da Vila de Extremoz, no ano de 1759. Aqui, Antonio de Barros Passos gerou outros filhos, mas sua esposa não era mais Anna, mas sim Luzia de Abreu e Lima, talvez irmã da primeira. Vejamos alguns assentos das irmãs de Antonio de Barros Passos Junior, que nasceram aqui na nossa capitania.

Inocência, filha legítima do tenente Antonio de Barros Passos, natural da Freguesia de São Lourenço da Mata, e de Dona Luzia de Abreu Lima, natural de Santo Antonio do Recife, neta por parte paterna de Domingos de Barros e de Ângela Vieira de Passos, da Freguesia de São Lourenço da Mata, e pela materna de Domingos Grades de Abreu, natural de Lisboa, e de Dona Caetana de Abreu e Lima, natural do Recife, nasceu aos vinte e oito de dezembro do ano de mil e setecentos e setenta e dois, e foi batizada com os santos óleos, de licença minha, pelo Padre Miguel Pinheiro Teixeira, aos quatro de janeiro do ano de 1773, fui eu padrinho, e madrinha Dona Caetana de Abreu e Lima, por procuração que mandou de Pernambuco, onde é moradora. Do que mandei lançar este assento em que me assino. Pantaleão da Costa de Araújo.

Águida, filha do tenente da Fortaleza, Antonio de Barros Passos, natural da Freguesia de São Lourenço da Mata, e de Dona Luzia de Abreu Lima, natural do Recife, Freguesia de São Pedro Gonçalves, neta por parte paterna de Domingos Barros, e de Ângela Vieira dos Passos, naturais da mesma Freguesia de São Lourenço, e pela materna de Domingos Grades de Abreu, natural de Lisboa, e de Dona Caetana de Abreu Lima, natural do Recife, nasceu aos cinco dias do mês de fevereiro do ano de mil setecentos e setenta e cinco, e foi batizada com os santos óleos nesta Matriz, de licença minha, pelo Padre Coadjutor Bonifácio da Rocha Vieira, aos cinco de março do dito ano; foi padrinho o Doutor Provedor Antonio Carneiro de Albuquerque Gondim, casado, do que mandei fazer este assento em que me assinei. Pantaleão da Costa de Araújo.

Rita, filha legítima do tenente Antonio de Barros Passos, e de Dona Luzia de Abreu e Lima, foi batizada na Matriz desta cidade, de licença minha, pelo Reverendo Vigário da Vila de Extremoz, Valentim de Medeiros de Vasconcelos, com os santos óleos, neta por parte paterna de Domingos de Barros e de Ângela Vieira, naturais de São Lourenço da Mata, e pela materna  de Domingos Grades de Abreu, e de Dona Caetana de Abreu e Lima, ele natural de Lisboa, e ela natural de Pernambuco; foram padrinhos o licenciado José Ignácio de Brito, e Anna Joaquina Noberta, ambos solteiros e moradores nesta Freguesia, e não se continha mais nada neste assento em que mandei lançar e me assino. Francisco de Sales Nunes, Vigário Encomendado do Rio Grande (ano 1782). Neste registro havia uma troca das naturalidades dos pais de Luzia, com relação aos registros anteriores, além de não conter a data de batismo.

Há uma distância grande entre o nascimento do filho Antonio de Barros Passos Junior e esses que nasceram aqui no Rio Grande. Encontra outra filha de Antonio e Luisa, através de um registro de casamento: Em 10 de setembro de 1783, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Teodósio Luiz da Costa Moreira, filho de José Antonio Moreira e Marta da Costa, da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Vila de Santa Cruz do Aracati, casou com Maria da Apresentação, filha do tenente Antonio de Barros Passos e Luiza de Abreu e Lima, natural de Extremoz.

Em um assentamento de praça, com anotações quase ilegíveis, fora da parte central, consta que Antonio de Barros Passo, sargento da Companhia do tenente-coronel do Regimento de Infantaria paga do Regimento de que é coronel João Lobo de Lacerda, veio por Diretor dos Índios da Vila de Extremoz do Norte, chamada antigamente Guajirú, sentou em 22 de junho de 1759. Passou este sargento para tenente da Barra desta Cidade por patente do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Conde de Pavolide, governador e capitão-general de Pernambuco, Paraíba e nas capitanias anexas, e fica em praça sentado no livro 3 de matricula do capitão Manoel da Silva Vieira. Consta, ainda, na lateral do assento, que faleceu aos 29 de maio de 1795, tendo se habilitado Dona Luzia, até seu falecimento. Não encontrei, ainda, o óbito de Dona Luzia.

Vejamos mais detalhes da concessão da patente de tenente a ele concedida. No ano de 1769, o Conde de Pavolide, governador e capitão geral de Pernambuco, Paraíba e das capitanias anexas, D. José da Cunha (Grã) Athaíde (e Mello), nomeava Antonio de Barros Passos, na vaga por falecimento de Thomaz Pinheiro, como tenente da Fortaleza dos Santos Reis Magos da Barra da cidade do Natal. Nas considerações que fez para conceder a referida patente constava que o nomeado tinha servido sua majestade durante 31 anos, 10 meses e sete dias, no Regimento de Infantaria paga da Guarnição da Praça do Recife, em praça de soldado, cabo de esquadra, sargento supra e de número, sem nota alguma em seus assentos que lhe servisse de impedimento, indo no dito tempo destacado, uma vez para o presídio do Rio Grande do Norte, duas vezes para o da capitania de Itamaracá, três para o da Ilha de Fernando de Noronha e outra três vezes para o da Fronteira de Itamaracá, procedendo sempre com procedimento, limpeza de mãos, zelo do Real serviço, préstimo, atividade em obediência aos seus superiores, dando inteira conta de tudo, o que lhe foi encarregado do mesmo Real serviço, procedendo igualmente no emprego que lhe foi destinado e escolhido pelo governador Luis Diogo Lobo da Sylva, em 15 de junho de 1753 (na verdade 1759), para Diretor dos Índios, da nova Vila de Extremoz, ereta na capitania do Rio Grande do Norte, de onde ainda se conserva, fazendo com seu desvelo, prudência e cuidado a (ilegível) civilizar os seus habitadores e aumentar a cultura dela, de sorte que me consta da boa economia a que se tem reduzido.

No próximo artigo, escreveremos sobre Antônio de Barros Passos Junior, este sim, sogro de José Rebouças de Oliveira.

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